YouTube vai partilhar receitas publicitárias com quem põe vídeos na Internet
 

 

Público 28 Janeiro 2007

 

Novidade foi anunciada por Chad Hurley em Davos. Compensação é só para quem tenha direitos de autor dos vídeos que coloca no site

Quem coloca os seus filmes no site de partilha de vídeos YouTube pode passar em breve a receber uma parte das receitas publicitárias conseguidas com o seu trabalho. A informação foi adiantada ontem à BBC online por Chad Hurley, um dos fundadores do site.
Hurley disse em Davos, na Suíça, depois de ter participado numa sessão do Fórum Económico Mundial, que a equipa do YouTube tem vindo a trabalhar num mecanismo que "premeie a criatividade", o qual deverá ser adoptado nos próximos meses.
Sem entrar em detalhes, um dos dois fundadores do site de partilha de vídeos on-line disse à BBC que o YouTube vai recorrer a diversos formatos publicitários, incluindo pequenos clips para serem vistos imediatamente antes da exibição do filme pedido pelo utilizador. Os visitantes não serão sobrecarregados com longos anúncios e uma das possibilidades que está a ser considerada é a da adopção de um modelo de clip de três segundos, acrescentou.
Chad Hurley, que com Steve Chen fundou o fenómeno vídeo da Internet, escusou-se a adiantar outros detalhes, afirmando que o YouTube está ainda a trabalhar quer o esquema de retribuição quer o sistema de anúncios. As novidades surgirão, uma após outra, nos próximos meses, "não haverá um grande lançamento", afirmou.
A compensação financeira só beneficiará quem possua os direitos integrais de autor dos vídeos que coloque no YouTube, disse ainda. O site de partilha de vídeos, explicou, está a desenvolver tecnologias que permitam identificar o material abrangido por direitos de autor.
Já há experiências
do mesmo género
O facto de o YouTube não ter desenvolvido à partida um modelo de partilha de receitas foi, na opinião de Chad Hurley, uma das razões do seu êxito, uma vez que lhe permitiu apostar naquele que é o seu maior trunfo: a facilidade de partilha de vídeos.
Com mais de 70 milhões de utilizadores por mês, segundo a BBC, o YouTube foi comprado em Novembro do ano passado pelo motor de busca Google, que pagou por ele mais de 1,3 mil milhões de euros (1,65 milhões de dólares).
Outros sites de partilha de vídeos, como o Revver, dividem já as receitas publicitárias com os cibernautas que disponibilizam conteúdos originais, mas só o You Tube tem uma audiência que se mede em dezenas de milhões de acessos.
O YouTube tem tido conflitos com estúdios de cinema e editoras discográficas sobre a questão dos direitos de autor de material colocado no site. Desde que foi comprado pelo Google, já negociou alguns acordos com grupos de media que envolvem compensações financeiras.
Sob o lema "Broadcast Yourself" ("Transmita-se a si próprio"), o You Tube é um site onde qualquer pessoa pode armazenar e partilhar ficheiros de vídeo. Para além das categorias criadas pelos próprios utilizadores, apresenta listas de vídeos mais vistos, dos mais recentes, dos que mais discussão geraram e dos mais bem classificados pelos visitantes. O YouTube permite ainda a formação de grupos temáticos, onde pessoas com os mesmos interesses podem armazenar e partilhar filmes. Neste gigantesco arquivo on-line é possível encontrar de tudo: pequenos vídeos caseiros, clips amadores, gravações de concertos ou de programas televisivos. Os vídeos podem ser comentados e o site integra ainda fóruns de discussão.