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João
Manuel Rocha
Público 25 Janeiro 2007
Pessoas sem lugar no mercado de trabalho eram 195,2 milhões em 2006.
Crescimento da economia não tem correspondência no aumento do emprego
O mundo nunca teve tantos desempregados, pelo menos desde que as
estatísticas os registam, como no ano passado. O número dos que não têm
emprego atingiu, em 2006, os 195,2 milhões de pessoas e os mais afectados
são os jovens, indica o relatório Tendências globais de emprego 2007,
ontem divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Mesmo com crescimento económico, e apesar de mais gente ter trabalhado, o
número dos que não têm emprego cresceu em números absolutos, ainda que
ligeiramente: os desempregados eram 194,7 milhões em 2005. Os dados
preliminares sobre 2006 divulgados pela OIT indicam também que a taxa de
desemprego quase não sofreu alterações: 6,3 por cento, face aos 6,4 por
cento do ano anterior.
Em muitas regiões do mundo não houve mudanças significativas de um ano
para o outro. A redução mais notória do desemprego ocorreu nas economias
desenvolvidas e na União Europeia, onde baixou 0,6 e se fixou em 6,2 por
cento. No caso de Portugal, a taxa de desemprego estabilizou em Novembro
passado nos 7,1 por cento, segundo a informação divulgada no início deste
ano pelo Eurostat, serviço de estatística da Comissão Europeia.
O valor mais baixo de desemprego continua a ser o do Leste asiático, com
uma taxa de 3,6 por cento. Os índices mais elevados são os apresentados
pelo Médio Oriente e Norte de África, com 12,2 por cento em 2006.
O Médio Oriente e o Norte de África são também as regiões onde é menor a
percentagem de população empregada: 47,3 por cento em 2006. O valor mais
elevado é registado no Leste asiático, onde, apesar de uma descida de 3,5
por cento na última década - explicada por um aumento da escolarização - a
percentagem de população empregada é a mais elevada: 71,6 por cento. Na
União Europeia, a percentagem de população empregada é de 56,7 por cento.
O crescimento económico da última década reflectiu-se mais no aumento da
produtividade do que na criação do emprego, refere a OIT, que ilustra a
afirmação com números: crescimento de 26 por cento na produtividade contra
apenas 16,6 por cento no emprego.
Os mais jovens são os mais atingidos pela falta de trabalho: 86,3 milhões
dos desempregados em 2006, qualquer coisa como 44 por cento do total,
tinham entre 15 e 24 anos, indica a organização. Outra tendência que
permanece é a do fosso entre homens e mulheres em matéria laboral. No caso
das mulheres, a percentagem das que tinham trabalho, que era de 49,6 por
cento em 1996, está em 48,9 dez anos depois. No caso dos homens, passou-se
de 75,7 para 74,0 por cento.
1,87 mil milhões ganham menos de 1,54 euros por dia
O relatório da OIT dá também conta de ganhos muito modestos dos 1,87 mil
milhões de pessoas que têm remunerações mais precárias: 507 milhões
ganhavam menos de um dólar por dia (77 cêntimos de euro) e boa parte
destes vivia no Sul da Ásia e na África subsariana, regiões onde estavam
concentrados 348,2 milhões. Outros 1,37 mil milhões ganham menos de dois
dólares diários (cerca de 1,54 euros).
"O forte crescimento económico da última meia década teve um impacto
mínimo na redução do número de trabalhadores que vivem com as suas
famílias na pobreza", declarou o director-geral da OIT, Juan Somavia. Para
a organização, "é tempo de os Governos, bem como a comunidade
internacional, assegurarem que as condições económicas favoráveis na maior
parte do mundo se traduzam em criação de bons empregos".
A distribuição do emprego por sectores conheceu algumas modificações: de
2005 para 2006 o peso dos serviços no conjunto do emprego subiu de 39,5
para 40 por cento e ultrapassou pela primeira vez a quota da agricultura,
que baixou de 39,7 para 38,7 por cento. A indústria ocupava no ano passado
21,3 por cento do total do emprego.
Ver relatório
da OIT
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