‘Modelo da sereia’ é considerado pioneiro
 

Jorge Nascimento Rodrigues

Expresso 17 Março 2007

 

 

Um modelo de boas práticas que favoreça a “ponte” entre os utilizadores de vanguarda ou fãs pró-activos de marcas com as empresas que apostam na criatividade levou ao lançamento em Copenhaga do primeiro laboratório de inovação centrada no utilizador. Da parte empresarial estão envolvidas multinacionais dinamarquesas bem conhecidas pela sua criatividade como a Bang & Olufsen, Lego, Danisco e Novo Nordisk.

Gerido pelas Escolas de Negócio de Copenhaga e de Aarhus, com o apoio do Massachusetts Institute of Technology (MIT) norte-americano, o modelo foi considerado uma das ideias brilhantes para 2007 pela revista de gestão ‘Harvard Business Review’. Esta iniciativa dinamarquesa pode ser cognominada do ‘modelo da sereia’, em homenagem à pequena sereia do conto de Hans Christian Andersen esculpida na margem do porto de Copenhaga. Qual é o argumento dos dinamarqueses? Os utilizadores de vanguarda tendem a criar a maioria das características e capacidades funcionais mais revolucionárias de produtos e serviços, antecipando tendências. “Eles inovam para resolver necessidades pessoais”, diz-nos o economista Eric von Hippel, 65 anos, professor no MIT, e director científico do Danish User-Centered Innovation Lab (DUCI Lab, na Web em: http://duci.dk/), localizado na Escola de Negócios de Copenhaga. Eric - que criou o termo de ‘utilizador de vanguarda’ em 1986 - gosta de citar os imensos casos de cirurgiões e suas criações na instrumentação científica, as bebidas energéticas e os produtos para vários géneros de desportos criados por entusiastas, ou o caso mais conhecido dos últimos quinze anos, a World Wide Web.

Os utilizadores-criadores fazem-no, em regra, “a expensas próprias e correndo riscos pessoais”, sublinha Eric. “Eles inovam porque tiram um benefício directo destas inovações em que se metem e os custos envolvidos naturalmente são, frequentemente, mais baixos do que na indústria”, prossegue. Estes criadores têm duas vantagens nítidas: “Não estão expostos à inércia dos incumbentes, nem estão agarrados aos paradigmas convencionais”, ainda segundo o cientista. Este potencial individual tem sido ampliado pelas comunidades de fãs na Web ou pela disponibilização de «toolkits» pelas empresas abertas à criatividade da “rua” que permitem ao utilizador mais pró-activo melhorar os produtos. Algumas empresas já admitem evoluir no sentido de se transformarem apenas em “construtores” das soluções criadas por esta via.

A lógica na Dinamarca é a das parcerias público-privadas. O projecto do primeiro laboratório foi acarinhado pelo ministério da Economia e das Empresas da Dinamarca, que pretende transformar o modelo em prioridade nacional até 2010. Os políticos dinamarqueses acham que este modelo traz vantagem competitiva a pequenos países com recursos financeiros escassos mas que dispõem de talento e de um núcleo duro de empresas criativas.