| Os que inovam uma só vez | ||
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Jorge Nascimento Rodrigues Expresso 6 Janeiro 2007
Os grupos nascidos com a Web são revolucionários de “um só tiro”, diz Peter Cohan
Algumas escolas de negócios pegaram no tema, com destaque para a idosa Wharton School da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.
Este tipo de debate é cíclico no «management». A novidade é que, agora, incide sobre o segmento das empresas ainda jovens, nascidas com as oportunidades de negócio da Web, desde os anos 1990. O manifesto de Brad Garlinghouse, que continua no posto de vice-presidente da Yahoo!, teve até direito a entrar na Wikipedia e a sua imagem da ‘manteiga de amendoim’ ganhou popularidade: a diversificação para novos negócios, mesmo que adjacentes, fugindo à focalização, é como estender manteiga de amendoim por tudo quanto é sítio. E, ironia, Brad, e ao que parece muita gente no Silicon Valley, detesta esse tipo de manteiga, a acreditar na vaga de «posts» em blogues que gerou.
A aplicação de dinheiro em aquisições multimilionárias levanta sempre a ira de muitos accionistas e remete para a discussão de como aplicar os recursos gerados ou adquiridos em bolsa - se no «core» do negócio, se em oportunidades que surgem no quadro de uma estratégia de projecção. Os teóricos da gestão dividem-se e mostram exemplos que dão para os dois lados: desde os conglomerados de A a Z que se aguentam no tempo até às diversificações que morrem do que, em geopolítica, se chama ‘sobre-extensão’. O veredicto da estratégia só mesmo «a posteriori», dizem, por seu lado, os que lavam as mãos como Pilatos.
O debate na Wharton alargou-se para as decisões tomadas pela Amazon.com de alugar a sua própria infra-estrutura computacional e a desmultiplicação em novas iniciativas e aquisições pelo Google. No entanto, Peter Cohan, um analista dos negócios baseados em tecnologia, alega que o debate central não está bem colocado. As empresas que nasceram com a vaga da Web têm uma particularidade: nascem, emergem, crescem e morrem em função de modas. “Logo que a vaga de procura para uma moda nova se esgota, estas empresas têm muita dificuldade em gerar as vagas seguintes de inovação. As novas vagas surgem sempre de novas «start-ups»”, refere-nos. É uma espécie de “pecado original”. Por isso, conclui que “as empresas Internet dão um tiro inicial até ao estrelato e os esforços para diversificar, a partir de certa altura, tentando manter o clímax bolsista e segurando os talentos, falham inevitavelmente”.
Jorge Nascimento Rodrigues
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