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Ganhar dinheiro sem trabalhar é um sonho de muitos que parece impossível.
Mas não é. Actualmente já é possível contratar alguém do outro lado do
mundo que faça o trabalho por um quinto do preço praticado em Portugal.
Trata-se de uma nova tendência do offshoring, conceito económico já muito
conhecido, que significa a migração de negócios ou postos de trabalho para
outros locais, normalmente com custos inferiores ao país de origem. Agora,
graças à expansão da Internet, já não são apenas os grandes negócios que
se tornam globais. Quem quiser pode fazer off- shore de pequenas tarefas
pessoais para trabalhadores a quilómetros de distância.
O conceito é conhecido como "offshoring pessoal" e é popular nos EUA e
Reino Unido, mas está ainda apenas disponível para serviços que possam ser
fornecidos online. Através da Internet, é possível contratar desde um
programador informático na Índia ou no Dubai, uma empresa que desenvolve
sites exclusivos, até consultoria legal ou traduções.
A diferença de preços praticados entre os países que contratam e os que
são contratados tem provocado alguma controvérsia. É que, para algumas
pessoas, esta tornou-se uma via de receber o ordenado sem trabalhar. Por
exemplo, um programador de software, conhecido apenas como Nonac, admitiu,
num site de notícias sobre informática, ter contratado um programador na
Índia, sem o conhecimento do seu empregador. Este indiano recebeu 9416
euros por fazer um trabalho para o qual Nonac recebe um ordenado de mais
de 52 mil euros. "Ele está contente por ter trabalho, eu estou contente
por apenas ter de trabalhar 90 minutos por dia", afirma. "Agora, estou a
considerar arranjar um segundo trabalho e fazer a mesma coisa", confessa o
programador.
Este comentário levantou algumas questões éticas entre a comunidade
informática. Mas as opiniões dividem-se. David Renzowitz, editor de uma
newsletter sobre finanças pessoais, defende o offshore pessoal.
"Provavelmente, o seu patrão está a planear subcontratar os postos de
trabalho da sua empresa daqui a um ano ou dois", defende o jornalista,
citado no site WeeklyWorldNews. "O importante é ter a certeza de que a
pessoa subcontratada para fazer o trabalho é competente - de outro modo
pode ser despedido", alerta este responsável, que acredita que 9% dos
trabalhadores norte-americanos já recorrem a este tipo de serviços.
Mas a informática não é o único sector que beneficia com este novo
conceito. Por exemplo, já há psiquiatras que subcontratam os seus
congéneres na Índia para realizar chamadas de acompanhamento dos
pacientes. E a educação através da Internet é o próximo passo. Empresas
indianas como a Career Launcher ou a Educomp Datamatics competem para
oferecer explicações pessoais em directo através da Web, com preços entre
oito e 31 euros.
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