17º
Congresso
do PCP
- uma “arrumação”
mal
arrumada
por
Fernando Penim
Redondo
e Maria
Rosa
Redondo,
10-11-2004
“A
análise da
arrumação das
forças de
classe na
sociedade portuguesa é
um
elemento de
grande
importância
para a
intervenção do
Partido.”
TESES
(Projecto de
Resolução
Política)
do 17º
Congresso
do PCP
O
capítulo
3.1 do Projecto de
Resolução
Política,
que
trata
da “Arrumação
das
forças
de
classe”,
pese
embora
a
declaração
inicial
quanto
à
sua
importância
acaba
por
ser
apenas
mais
uma
prova
de
que
os
dirigentes
do PCP continuam,
como
veremos
mais
adiante,
a
dispensar
os factos
sociais
na
definição
das
suas
orientações.
Para
além
desta
fundamental
questão
política
é
também
confrangedor
constatar,
da
parte
de
um
partido
com
as
tradições
e
reputação
do PCP, a
ligeireza
quase
irresponsável
e
sem
dúvida
incompetente
com
que
assuntos
tão
sérios
são
tratados.
1.
Método
e
apresentação
A
questão do
método
e da
apresentação
dos
dados,
embora
possa
parecer
uma
questão
secundária,
acaba
por
revelar
muito
sobre
a
seriedade
das
análises
e
também
sobre
a
intenção
de
facilitar,
ou
dificultar,
o
acesso
por
parte
do
leitor
aos pressupostos das
conclusões
que
se defendem.
Este
capítulo
3.1 das
TESES
é nesse
aspecto
paradigmático.
Números
e
percentagens
são
distribuídos de
forma
anárquica
por
um
sem
número
de
parágrafos
quando
a
solução
óbvia
seria a
apresentação
de
um
quadro
em
que
todos
os
números,
e
cada
número,
pudessem
ser
apreciados
em
conjunto.
São
dadas
percentagens
nuns
casos,
números
absolutos
noutros
casos,
nem
uma
coisa
nem
outra
ainda
noutros
casos,
dessa
forma
inviabilizando
ou
dificultando a
obtenção
dos
totais
de
referência
e as comparações
entre
estratos
ou
classes
sociais
que
se pretende
analisar.
Os
números
apresentados
não
são
explicados
quanto
à
sua
origem.
Embora
o
Recenseamento
Geral
da
População
de 2001 seja referido
como
fonte
acontece
que
grande
parte
dos
números
apresentados
não
corresponde aos
quadros
publicados
pelo
INE o
que
faz
supor
que
foram objecto de
manipulação
que
o
leitor
desconhece (por
ex. os
números
relativos
ao “proletariado
dos
serviços”
em
3.1.12).
2. As
classes
e a
suas
definições
Comecemos
por
sintetizar
o
que
é
dito
nas
Teses
(Quadro
1).
Quadro
1 - As
classes
e a
suas
definições
nas
TESES
do 17º
Congresso
do PCP
|
|
Classe
Operária |
(3.1.8). A
classe
operária
é
fundamentalmente
constituída
pelos
trabalhadores
assalariados
em
que
é
dominante
o
trabalho
directamente
produtivo,
exercendo a
sua
actividade nas
esferas
económicas de
produção
material,
onde
não
desempenham
funções
superiores
de direcção
ou
de
mera
vigilância
no enquadramento de
outros
trabalhadores.
Inclui:
Proletariado
Industrial
-
... incluindo as
minas,
a
produção
de
energia,
as
obras
públicas e os
transportes
(3.1.9.1)
Proletariado
Agrícola
-
..., incluindo a
criação
de
animais
e os
trabalhos
florestais (3.1.9.2)
Proletariado
das
pescas
-
...pescas,
incluindo a
aquacultura
(3.1.9.3)
Proletariado
dos
serviços
- ...mais
um
destacamento
da
classe
operária,
o
proletariado
dos
serviços,
o
conjunto
dos
operários
do sector
terciário
(3.1.12)
Assalariados
intelectuais
e
quadros
técnicos
-
Assim,
do
conjunto
dos
assalariados
intelectuais
e
quadros
técnicos
cuja
situação
os aproxima
em
geral
da
classe
operária,
uma
parte,
intervindo directamente na
produção
(ainda
que,
no
caso
de
alguns,
em
funções
de
concepção,
planeamento e
investigação
aplicada),
subordinada
aos
ritmos,
às
metas,
às
exigências
e ao
comando
da
alta
direcção das
empresas,
integra-se objectivamente na
classe
operária...
(3.1.14)
Trabalhadores
imigrantes
-
Parte
minoritária,
mas
significativa
e
crescente,
da
classe
operária
em
Portugal é constituída
por
trabalhadores
imigrantes.
(3.1.16) |
|
Camadas
intermédias assalariadas |
...constituído basicamente
por
todos
os
assalariados
não
operários.
Excluem-se os
falsos
assalariados,
que
pertencem às
camadas
superiores
da
burguesia,
como
os directores e os
membros
dos
conselhos
de
administração
das
grandes
empresas,
e
aqueles
que,
com
funções
superiores
de direcção e enquadramento, nas
grandes
empresas
privadas
ou
na
administração
e
instituições
públicas,
são
os
seus
auxiliares
directos na
manutenção
do
regime
de
exploração.
Muito
heterogéneas
internamente,
incluem a esmagadora
maioria
dos
assalariados
administrativos,
do
comércio
e dos
serviços
e a esmagadora
maioria
dos
assalariados
das
profissões
intelectuais
e científicas.
Estes
assalariados
não
intervenientes na
produção
material,
improdutivos
do
ponto
de
vista
da
criação
da
mais-valia,
mas
despojados de
meios
de
trabalho,
são
obrigados
a
viver
da
venda
da
sua
força
de
trabalho
a
níveis
de
exploração
crescentes.
(3.1.23)...
Os
empregados
de
escritório
ou
comércio,
dos
serviços
pessoais
e
gerais,
trabalham
quase
tantas
horas
como
os
operários
em
geral,
em
certos
casos
mais,
têm
cada
vez
menor
autonomia,
vêem frequentemente o
seu
trabalho
desqualificado,
exigindo
apenas
um
mínimo
de
competências
ou
o
domínio
de
técnicas
estandardizadas
simples,
as
tarefas
especializadas afuniladas, repetitivas e compartimentadas, as
qualificações desperdiçadas, as
remunerações
contidas, a
segurança
no
emprego
degradada. As
condições
de
vida
e de
trabalho
tendem a alinhar-se pelas dos
operários
em
geral.
Mesmo
subjectivamente, desapareceu
em
larga
medida
a
consciência
de
pertencer
a uma «classe»
à
parte.
Esta
realidade
revela a agregação de
um
conjunto
de
assalariados
dos
serviços
à
classe
operária,
além
dos
que
nela se integram, e constitui
um
elemento
que
reforça
a actualidade da
política
de
alianças
do
proletariado
com
as
camadas
intermédias.
(3.1.25) |
|
Pequena
burguesia
e
camadas
inferiores
da
burguesia |
..é a
classe
social
constituída
pelos
trabalhadores
por
conta
própria,
possuindo
meios
de
produção
ou
distribuição,
recorrendo
fundamentalmente
a
mão-de-obra
familiar
e,
regular
ou
excepcionalmente,
a
um
número
muito
reduzido de
assalariados.
As
camadas
inferiores
da
burguesia
são
a fracção da
burguesia
constituída
pelos
micro-empresários (de
empresas
com
menos
de 10
trabalhadores,
que
os
Censos
permitem
distinguir)
e
pelos
pequenos
empregadores,
com
profissões
intelectuais
e científicas
ou
técnicas,
da
indústria,
do
comércio
e
serviços
ou
do sector
primário.(3.1.30) |
|
Burguesia |
...constituída
fundamentalmente
pelos
proprietários
dos
meios
de
produção
e de
troca,
que
vivem da
exploração
do
trabalho
alheio.
Compreende os
dirigentes
e
grandes
accionistas das
empresas
e
sociedades
financeiras;
os
empresários
de
todos
os sectores e os
patrões
que
empregam
trabalho
assalariado,
salvo
quando
em
número
muito
reduzido; os
especuladores,
nomeadamente da
bolsa;
os
grandes
detentores
de acções,
obrigações
e
outros
activos financeiros; os
grandes
promotores
e
proprietários
imobiliários;
os
grandes
proprietários
rurais;
todos
quantos
vivem de
grandes
rendimentos
da
propriedade.
Considera-se, no
âmbito
da
burguesia,
o
conjunto
dos
altos
funcionários
— directores-gerais, de
serviços
e actividades de
empresas
e
instituições,
quadros
superiores
da
função
pública,
comandos
superiores
das
forças
armadas
e militarizadas —
que,
apesar
de
assalariados,
pertencem na
realidade
à
burguesia
ou
são
os
seus
auxiliares
directos no enquadramento e
comando
da
produção,
distribuição,
repartição,
vida
e
ordem
sociais.
(3.1.35) |
|
Para
além
das
classes
e
estratos
sociais
apresentadas no
Quadro
1, (classe
operária,
camadas
intermédias assalariadas,
pequena
burguesia
e
camadas
inferiores
da
burguesia
e
burguesia)
as
Teses
usam
ainda,
avulsamente
e provocando alguma
confusão,
outras designações
como:
conjunto
dos
assalariados,
todos
os explorados,
trabalhadores
por
conta
própria,
micro-empresários,
pequenos
empregadores,
pequeno
patronato,
intelectualidade,
etc.
A
tese
essencial
é, no
entanto,
a da polarização:
“3.1.7. A
sociedade
portuguesa apresenta-se,
em
termos de
classe,
fortemente polarizada. Num
pólo,
a
classe
operária
e o
conjunto
dos
assalariados,
de
todos
os explorados, a esmagadora
maioria da
população. No
outro
pólo, a
burguesia monopolista, a
grande
burguesia,
uma
ínfima
minoria
exploradora”
“3.1.44.
Acentuou-se a polarização de
classes na
sociedade portuguesa.
Em
termos aproximados, o
conjunto
da
classe
operária
e das
camadas
intermédias assalariadas aumentou,
entre 1991 e 2001, o
seu
peso
na
população
activa de 75%
para 80%. A
burguesia e
seus
auxiliares directos,
sem o
pequeno
patronato, aumentou de 1,9%
para 2,5%. No
meio, as
camadas intermédias
não assalariadas,
que englobam a
pequena
burguesia e as
camadas
inferiores da
burguesia, diminuíram de 21%
para 16% (a
diferença da
soma
para os 100% deve-se
fundamentalmente a
situações
real
ou estatisticamente indefinidas).”
Adicionalmente
todos
os
estratos
e
classes
sociais
são
artificialmente
assemelhados à
classe
operária:
“3.1.14.
Assim,
do
conjunto
dos
assalariados
intelectuais
e
quadros
técnicos
cuja
situação
os aproxima
em
geral
da
classe
operária...”
“3.1.25.
Os
empregados
de
escritório
ou
comércio,
dos
serviços
pessoais
e
gerais,
... subjectivamente, desapareceu
em
larga
medida a
consciência de
pertencer a uma «classe» à
parte. Esta
realidade revela a agregação de
um
conjunto
de
assalariados
dos
serviços
à
classe
operária,
além
dos
que
nela se integram, e constitui
um
elemento
que
reforça a actualidade da
política
de
alianças
do
proletariado
com
as
camadas
intermédias.”
“3.1.29.
Verifica-se uma
aproximação
geral e
mesmo uma
integração objectiva e
crescente de efectivos da
intelectualidade na
classe
operária...”
"3.1.45.
... o
nivelamento
pela
situação
material
média do
proletariado de largas
camadas de
assalariados
intermédios...”
A
insistência
nesta
tese,
que
corresponde a
tomar
os
desejos
por
realidades,
só
contribui paro
obscurecer
as
nuances
que
efectivamente existem e
impedir
a aprendizagem
que
permitiria
adequar
a acção
política
à
realidade
social.
A concretização do
desejo
de
ter
todos
os
assalariados
irmanados na
luta
por
uma
sociedade
mais
justa
não
dispensa,
antes
exige, uma correcta
compreensão
das
diferentes
concepções
e
anseios
que
os caracterizam.
Com
efeito
não
basta
constatar
a
condição
assalariada
de
vários
estratos
da
população
activa,
ou
mesmo
o
hipotético
nivelamento
dos
rendimentos
ou
condições
de
trabalho,
para
poder
concluir
que
defendem,
ou
que
poderão
vir
a
defender,
as mesmas
teses
ou
propostas
políticas
e
muito
menos
para
subordinar
abusivamente
tais
estratos
à
classe
operária.
Realmente
importante
seria a
compreensão
das
diferenças
entre
estratos
e
camadas
sociais
que
na
prática
não
têm mostrado
convergência
nos
comportamentos
políticos,
nomeadamente
eleitorais,
manejando
um
conjunto
de
critérios
que
ajudem a
perceber
o
grau
de rejeição do
status
quo
social
e económico e a
disponibilidade
para
equacionar
propostas
e
modelos
de
organização
social
alternativos.
A
título
indicativo
enunciamos a
alguns
tópicos
que
têm
influência
considerável
na
diferenciação
das
atitudes
políticas
dos
estratos
e
classes
sociais:
-
Origem
e
tipo
dos
rendimentos
principais
-
Aposta
em
aquisições
imobiliárias
e
outros
investimentos
de
longo
prazo
-
Dependência
do
emprego
assalariado
-
Estabilidade
ou
precaridade do
emprego
-
Características
do
mercado
de
trabalho
específico
em
termos
de
oferta
e
procura
-
Tipologia
do
empregador,
nomeadamente se é
público
ou
privado
-
Dimensão
do
empregador
-
Grau
de
impunidade
fiscal
-
Capacidade
corporativa/sindical
para
influenciar
as
decisões
políticas
-
Reconhecimento
e
estatuto
social
-
Cooperação
ou
competição nas
condições
de
exercício
da
profissão
No
que
toca,
por
exemplo,
à “Origem
e
tipo
dos
rendimentos”
vejamos os
dados
do INE (Census 2001 –
Quadro
6.27.1)
|
Quadro
2 -
Principal
meio
de
vida |
Origem
Empresas |
Origem
Estado |
Origem
Família |
|
|
|
|
|
|
Rendimentos
do
trabalho
assalariado |
3.077.592 |
716.400 |
|
|
Rendimentos
do
trabalho
independente,
etc |
785.648 |
|
|
|
Rendimentos
de
propriedades
e
empresas |
55.328 |
|
|
|
Subsídio
de desemprego |
|
190.463 |
|
|
Subsídios
acidente,
doença,
outros
–
apoio
social |
|
82.281 |
|
|
Rendimento
mínimo
garantido |
|
46.357 |
|
|
Pensão
/ Reforma |
|
2.074.443 |
|
|
A
cargo
da
família |
|
|
1.536.075 |
|
|
|
|
|
|
Total
por
origem |
3.918.568 |
3.109.944 |
1.536.075 |
|
|
45,0 % |
35,7 % |
17,6 % |
|
|
|
|
|
Como
se pode
constatar
o
número
de
cidadãos
cujo
principal
meio
de
vida
tem
origem
no
Estado
(3.109.944) supera
já
o dos
trabalhadores
assalariados
em
empresas
(3.077.592)
Não
há nas
Teses
qualquer
referência
a
este
aspecto
pois
que
todo
o
ênfase
é
posto
nas
relações
de
classe
ao
nível
das
empresas
no
entanto
é
indubitável
que
esta
realidade
tem significativas consequências no
plano
político.
Somos
assim
remetidos
para
a
questão
de
saber
para
quem
é
que
se faz a
política,
em
quem
estamos a
pensar
quando
nos
envolvemos na acção
política.
3.
Para
quem fazemos
política
?
Em
todo
o
capítulo
3 do Projecto de
Resolução
Política
os
números
referentes
às
classes
e
estratos
sociais
são
sistematicamente referidos à
População
Activa.
Em
ponto
algum
se refere a
população
com
mais
de 15
anos.
Trata-se de
um
fenómeno
estranho
já
que
é
esse
o
grupo
etário
a
quem
a acção
política
supostamente
se dirige
ou
porque
se
trata
de votantes
ou
porque
se
trata
de
pessoas
que
a
breve
trecho
serão
votantes e
em
muitos
casos
têm
já
actividades
socialmente
influentes.
A
importância
atribuída ao assalariamento na
definição
das
categorias
sociais
deveria
ser
repensada se,
em
vez
de comparada
com
a
População
Activa, fosse comparada
com
a
população
politicamente
relevante
(15
anos
ou
mais).
Uma
outra
questão
escamoteada é
que
o
crescimento
do
trabalho
assalariado
tem sido, no
período
em
análise,
mais
intenso
no sector da
Administração
Pública
(40,5 %) do
que
no
terreno
típico
da
luta
de
classes,
o sector
privado
(16,8 %). Vejamos
números
do INE:
|
Quadro
3
–
Evolução
do assalariamento |
|
|
1991 |
2001 |
|
|
|
|
|
P1 -
População
com
15
anos
ou
mais |
7.894.715 |
8.699.515 |
|
P2 -
População
Activa |
4.397.691 |
4.990.208 |
|
|
|
|
|
T1 -
Trabalhadores
assalariados
no sector
privado |
2.634.506 |
3.077.592 |
|
% - (T1/P1) |
33,4 |
35,4 |
|
% - (T1/P2) |
59,9 |
61,7 |
|
|
|
|
|
T2 -
Trabalhadores
assalariados
na
Administração
Pública |
509.732 |
716.400 |
|
% - (T2/P1) |
6,4 |
8,2 |
|
% - (T2/P2) |
11,5 |
14,3 |
|
|
|
|
É
bastante
diferente
dizer
que
os
assalariados
no sector
privado
constituem 61,7 % da
População
Activa
ou
dizer
que
representam 35,4 % da
população
politicamente
relevante.
Se considerarmos
adicionalmente
que
desses 35,4 % uma
parte
cada
vez
maior
é constituída
por
contratos
a
termo
ou
contratos
de
trabalho
temporário
teremos
que
concluir
que
o assalariamento é uma
relação
de
produção
em
crise.
Teremos de
concluir
que
as
empresas
capitalistas
estão a
ter
muitas
dificuldades
ou
retraimento na
criação
de
empregos
assalariados.
As
Teses
passam ao
lado
desta
questão
e,
pelo
contrário,
induzem
que
o
crescimento
do assalariamento é
galopante
e
que
se verifica uma “proletarização” acelerada de vastas
camadas.
Ao fazê-lo estão a
descartar
uma
hipótese
que
merecia
mais
atenção,
a de
que
a
revolução
tecnológica
e os
processos
de
globalização
possam
estar
a
pôr
em
causa
o
próprio
assalariamento e
tudo
o
que
ele
representa no
sistema
burguês.
Uma
outra
questão
que
urge
abordar
é a da
população
inactiva.
Comecemos
por
ver
uma
distribuição
da
população
com
15
anos
ou
mais
por
“feixes
de
interesses”
na
linha
dos
critérios
apresentados
em
2.
|
Quadro
4
–
Grupos
da
população
politicamente
relevante |
|
|
|
Tot.
Grupo |
% de P2 |
|
P1 -
População
Total
de Portugal |
10.356.117 |
|
|
|
P2 -
População
com
15
anos
ou
mais |
8.699.515 |
|
|
|
P3 -
População
Activa |
4.990.208 |
|
|
|
P4 -
População
Inactiva (15
anos
ou
mais) |
3.709.307 |
|
|
|
|
|
|
|
|
Empresários
c/
profissões
intelect,científicas e
técnicas
|
10.156 |
|
|
|
Empresários
da
indústria,
comércio
e
serviços
|
50.008 |
|
|
|
Empresários
do sector
primário
|
1.727 |
61.891 |
0,7% |
|
|
|
|
|
|
Pequenos
patrões
c/
profissões
intelectuais
e científicas |
24.429 |
|
|
|
Pequenos
patrões
c/
profissões
técnicas
intermédias |
25.506 |
|
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|
Pequenas
patrões
da
indústria
|
121.737 |
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|
Pequenos
patrões
do
comércio
e
serviços
|
189.666 |
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|
Pequenos
patrões
do sector
primário
|
18.271 |
379.609 |
4,4% |
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|
Profissionais
intelectuais
e
científicos
independentes
|
12.165 |
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|
Profissionais
técnicos
intermédios
independentes
|
15.443 |
|
|
|
Trabalhadores
industriais
e
artesanais
independentes
|
108.311 |
|
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|
Prestadores
serviços
e
comerciantes
independentes |
108.086 |
|
|
|
Trabalhadores
independentes
do sector
primário |
106.937 |
350.942 |
4,0% |
|
|
|
|
|
|
Directores e
quadros
dirigentes
do
estado
e
empresas
|
107.494 |
|
|
|
Dirigentes
de
pequenas
empresas
e
organizações
|
18.203 |
|
|
|
Quadros
intelectuais
e
científicos
|
367.039 |
492.736 |
5,7% |
|
|
|
|
|
|
Quadros
técnicos
e
intermédios
|
355.272 |
|
|
|
Quadros
administrativos
intermédios
|
58.312 |
|
|
|
Empregados
administrativos
do
comércio
e
serviços
|
1.081.332 |
|
|
|
Trabalh. administ.
comércio
e serv.não
qualificados |
501.603 |
1.996.519 |
22,9% |
|
|
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|
|
|
Trabalhadores
não
qualificados do sector
primário
|
536 |
|
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|
Assalariados
do sector
primário
|
85.190 |
|
|
|
Operários
qualificados e semi-qualificados |
1.294.289 |
|
|
|
Operários
não
qualificados |
184.227 |
1.564.242 |
18,0% |
|
|
|
|
|
|
Pessoal
das
forças
armadas
|
33.247 |
|
|
|
Outras
pessoas
activas, n.e |
111.022 |
144.269 |
1,7% |
|
|
|
|
|
|
Estudantes
(15
anos
ou
mais) |
681.338 |
681338 |
7,8% |
|
|
|
|
|
|
Domésticas |
613.133 |
613133 |
7,0% |
|
|
|
|
|
|
Reformados, aposentados
ou
na
reserva |
1.935.584 |
1935584 |
22,2% |
|
|
|
|
|
|
Incapacitados
permanentes
para
o
trabalho |
176.480 |
176480 |
2,0% |
|
|
|
|
|
|
Outros |
302.772 |
302772 |
3,5% |
|
A
População
Inactiva
com
mais
de 15
anos
(P4),
que
ascende a 3.709.307, está
ou
não
está contemplada na
análise
de
classes
tal
como
ela
é apresentada nas
Teses
para
o 17º
Congresso
do PCP e sintetizada no
Quadro
1 ?.
Os
pensionistas
são
mais
numerosos
do
que
os
operários,
as domésticas
são
mais
numerosas do
que
os
quadros
e
dirigentes
superiores
e os
estudantes
são
mais
numerosos
do
que
os
profissionais
independentes.
Estamos a
falar
de uma
parte
muito
considerável
(42,6 %) da
população
politicamente
relevante
e
portanto
esta
questão
não
pode
deixar
de
ser
equacionada.
Os
cidadãos
que
são
pensionistas
durante
20
anos
continuam
sempre
a
pertencer
à “classe
operária”
ou
às “camadas
intermédias assalariadas” ?
As domésticas casadas
com
um
membro
da “pequena
burguesia
e
camadas
inferiores
da
burguesia”
assumem necessariamente a
classe
a
que
os
maridos
pertencem ?
Os
filhos
estudantes
da “burguesia”
podem
ser
pacificamente arrolados
como
burgueses ?
A
questão
pertinente
que
se deve
colocar
é a de
saber
se
estes
grupos,
ou
outros,
desenvolvem
ou
não
formas
de
pensar,
maneiras
de
ver,
interesses
e
anseios
próprios
e
distintos
daqueles
que
são
supostos
caracterizar
as
classes
convencionais.
Também
neste
caso
as
Teses
são
omissas e tratam
estes
importantíssimos
grupos
sociais
como
apêndices
passivos.
Neste
caso,
como
em
tudo
o
resto,
no Projecto de
Resolução
Política
para
o 17º
Congresso
do PCP parece
ter
imperado
um
conjunto
de ideias apriorísticas às
quais
os
dados
da
realidade
foram,
com
maior
ou
menor
violência,
reconduzidos.