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Esquerda Europeia
Por EDGAR
CORREIA
in JN, 12 de Abril de
2004
O Congresso fundador do partido da
Esquerda Europeia que vai decorrer em Roma nos dias 8 e 9 de Maio
constitui, a vários títulos, um acontecimento de importante significado
e alcance políticos. Trata-se do culminar de um processo de construção,
à esquerda das correntes social-democratas, de um novo sujeito político
europeu, assente na convergência de diferentes organizações e movimentos
de esquerda. E do primeiro passo no sentido de uma mais vasta agregação
à esquerda de forças políticas e sociais e de uma mais aprofundada
confrontação das suas análises e coordenação das suas orientações.
Recorde-se que esta iniciativa foi decidida num encontro
realizado em Berlim, em Janeiro, por onze partidos políticos de vários
países da Europa: Refundação Comunista de Itália, Partidos do Socialismo
Democrático da Alemanha e da República Checa, Esquerda Unida de Espanha,
Partido Comunista Francês, coligação de esquerda Sinaspysmos da Grécia,
Partido da Esquerda do Luxemburgo, Partido Social-Democrata do Trabalho
da Estónia, e Partidos Comunistas da Aústria, da Eslováquia, e da Boémia
e Morávia. No apelo então aprovado pode ler-se que "na Europa e no
mundo, há uma crescente resistência às guerras, à destruição do estado
social, ao rearmamento e ao fundamentalismo do mercado" e que "nós da
Esquerda europeia somos parte dos movimentos por uma outra política.
Estamos convencidos que um outro Mundo, uma outra Europa, é possível:
uma Europa de paz, democrática, social, ambientalista, feminista - uma
Europa solidária".
A primeira novidade. Trata-se de uma convergência de
partidos e de outras organizações políticas democráticos de uma Esquerda
alternativa e progressista, que toma como referência os valores e
tradições do movimento socialista, comunista e operário, do feminismo e
do movimento feminista para a igualdade de género, do movimento
ambientalista e pelo desenvolvimento sustentável, dos direitos humanos,
do humanismo e antifascismo, do pensamento livre e progressista, tanto
em termos nacionais como internacionais. Que critica e se demarca
incondicionalmente do estalinismo e de todos os diferentes métodos
políticos e de práticas com ele ligados. E que pretende, entre outros
objectivos, contribuir para a acção política comum da Esquerda
democrática e alternativa nos países da União Europeia assim como a
nível europeu.
A segunda novidade. A Esquerda Europeia define-se como
uma associação flexível e descentralizada de partidos de Esquerda
europeus e de outras organizações políticas, independentes e soberanos,
e que trabalham com base no consenso. Aos partidos fundadores podem
associar-se - como membros ou como observadores - quaisquer partidos de
Esquerda e outras organizações políticas que aceitem a plataforma
política, e os estatutos que vão ser aprovados no congresso fundador de
Roma.
A Renovação Comunista portuguesa tem acompanhado de
perto este processo, exprimiu publicamente a sua consonância com a
necessidade de convergência de diferentes organizações para a construção
de um projecto político europeu à esquerda das correntes
sociais-democratas e assumiu-se, em Junho do ano passado, "como parte
nacional activa com tal propósito".
A Renovação Comunista saudou calorosamente a decisão de
formação do partido da Esquerda Europeia e associou a sua voz ao
manifesto apelo aprovado em Berlim. É por isso que a Renovação
Comunista, no quadro da sua própria natureza e objectivos, estará
presente activamente em Roma e juntará uma voz portuguesa ao Congresso
fundador da Esquerda Europeia.
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