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Congresso Internacional Karl Marx
Un. Nova, 14 a 16 de Novembro
Resumo da Comunicação
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Fernando Penim Redondo e Maria
Rosa Redondo
Propomo-nos aprofundar, na esteira do nosso livro "DO CAPITALISMO PARA O
DIGITALISMO" (ed. Campo das Letras, 2003), o debate sobre a fase actual do
Capitalismo baseada em "conhecimento" e nas tecnologias digitais.
Trata-se de saber se ela constitui uma ruptura suficientemente profunda para
poder conter o embrião de um novo "modo de produção".

A esquerda de raiz marxista, tende a misturar a transição do "modo de produção"
com a luta pelo poder do Estado, como se tal fosse suficiente para a emergência
de uma "sociedade sem classes". Por isso subestima o significado das anomalias
que a realidade vai apresentando em relação ao seu paradigma.
Mas é necessário avaliar permanentemente os sintomas da emergência de um novo
"modo de produção". A pedra de toque deverá ser a decadência e retrocesso do
assalariamento, enquanto "relação de produção" identitária do Capitalismo.
Temos vindo a assistir à emergência de uma nova "base material" digital que
propicia graus inéditos de automatização do trabalho e de replicação e
virtualização das mercadorias. A produtividade das tecnologias actuais provoca
superabundância permanente de enorme variedade de mercadorias, tangíveis e
intangíveis, que competem pelo mesmo recurso finito: a bolsa do consumidor.
O sistema tem procurado encontrar soluções para alargar os mercados, quer a
nível interno quer a nível externo. Por um lado a exportação para economias
emergentes, que muitas vezes obriga à deslocalização da produção, e por outro o
sobre-endividamento das famílias induzido pelo sistema financeiro. A crise
mundial que estamos a viver é apenas a eclosão dramática das suas consequências.
A concorrência leva as empresas a centrar-se no design e no marketing, que se
baseiam crescentemente em “trabalho não repetitivo”,em detrimento das
actividades produtivas tradicionais. O trabalho é cada vez menos um "capital
variável" e mesmo as mercadorias tangíveis, feitas "por mil mãos em cem países",
escapam cada vez mais à "teoria do valor".
A efectiva criação de valor pelo “trabalho não repetitivo” tem carácter
imprevisível e independente da duração,o que torna desadequado o típico contrato
de assalariamento em que o patrão compra força e tempo de trabalho e sabe com
alguma probabilidade, à partida, que o que vai pagar é inferior ao que vai
obter.
Por isso assistimos a uma tendência generalizada de redução e descaracterização
do contrato tradicional de assalariamento substituído por relações precárias, de
subcontratação, ou à tarefa nos projectos.
As perguntas a que importa dar resposta são pois:
- Será que o irremediável desequilibrio entre oferta e procura, e a prevalência
do “trabalho não-repetitivo” atirarão o assalariamento, e portanto o
Capitalismo, para o baú da história ?
- Uma vez que um novo Modo de Produção não trará automaticamente uma sociedade
mais justa, como hão-de as forças progressistas aproveitar a janela de
oportunidade apresentada pela transição para tentar influenciá-lo?
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