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O MUNDO DE HOJE
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Na evolução da sociedade, a revolução russa de 1917, sob a direcção de
Lénine e do partido dos bolcheviques, fica marcada, em milénios de
história, como a primeira e única a estabelecer o poder político das
classes anteriormente exploradas e a empreender com êxito a gigantesca
tarefa de construir uma sociedade sem exploradores nem explorados.
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A construção do socialismo na União Soviética teve profundas repercussões
em toda a situação mundial.
Vencendo bloqueios, intervenções, agressões militares e a invasão, a
guerra e os monstruosos crimes dos exércitos hitlerianos, a revolução
russa de 1917 repercutiu-se em todo o planeta.
Outras revoluções socialistas vitoriosas tiveram lugar. Numerosos povos
secularmente subjugados conquistaram a independência. Ruiu o sistema
colonial. Criaram-se influentes partidos comunistas em todo o mundo.
E, inspirados pelo exemplo da revolução russa, os trabalhadores em países
capitalistas conquistaram importantes direitos.
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Com o seu poderio, alcançado pela construção do socialismo, a União
Soviética alterou a correlação das forças mundiais, manteve em respeito
durante décadas o imperialismo, tornando a competição entre os dois
sistemas um elemento dominante na situação mundial.
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Uma falsa avaliação da situação criou porém nas forças revolucionárias uma
ilusão: que era irreversível o avanço revolucionário e o processo em curso
de libertação da humanidade.
Para essa ilusão não se tiveram em conta três realidades.
A primeira: a capacidade mostrada pelo capitalismo, mais que os países
socialistas, de não só desenvolver as forças produtivas, como de
descobrir, desenvolver e aplicar novas e revolucionárias tecnologias.
A segunda: a utilização pelo imperialismo, designadamente pelos Estados
Unidos, de colossais meios materiais e ideológicos, a repressão brutal
contra os trabalhadores e os povos em luta, colossais meios financeiros,
económicos, políticos e militares contra as revoluções, bloqueios,
sabotagens, atentados, conspirações, acções terroristas e guerras
declaradas e não declaradas.
A terceira: as tendências crescentes nos países socialistas, nomeadamente
na União Soviética, para a centralização e burocratização do poder e para
a estagnação, pondo em perigo o futuro da sociedade socialista em
construção.
Todos estes elementos em conjunto conduziram, na segunda metade do século
XX, à vitória do capitalismo na competição com o socialismo.
5
Chegamos assim ao final do século defrontando a ofensiva global do
capitalismo para se impor em todo o mundo como sistema único e final.
É este o sentido da «globalização».
Pelo seu superior poderio económico, tecnológico e militar, os Estados
Unidos lideram, comandam e impõem tal processo.
As guerras por eles impostas e que proclamam ser seu direito próprio e
discricionário, não respeitando quaisquer instâncias internacionais, com o
cortejo de destruições, atrocidades e genocídios, tornaram-se a arma mais
importante da ofensiva.
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À acção terrorista de 11 de Setembro, os Estados Unidos responderam
fomentando organizações e acções terroristas, desencadeando agressões e
guerras que vitimam igualmente milhares de civis. Proclamando serem os
campeões da luta contra o terrorismo, os Estados Unidos tornaram-se a
principal força do terrorismo mundial.
Na actual situação mundial, o terrorismo, que prolifera pelo mundo, só
pode ser combatido com êxito com orientações, políticas e medidas que
façam respeitar, pelos agressores imperialistas, a liberdade, os direitos
e a independência dos povos e países agredidos.
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A questão que se coloca aos trabalhadores, aos povos e às nações é se tal
ofensiva é irresistível e os trabalhadores, os povos e as nações estão
condenados a submeter-se, ou se há no mundo forças capazes de se lhe
oporem.
Os trabalhadores, os povos e as nações não podem aceitar que tal ofensiva
global seja irreversível. E, se assim é, importa considerar se há e,
havendo, quais são as forças capazes de impedir que o imperialismo alcance
o seu supremo objectivo.
A nosso ver, são fundamentalmente:
Primeiro: Os países nos quais os comunistas no poder (China, Cuba,
Vietname, Laos, Coreia do Norte) insistem em que o seu objectivo é a
construção de uma sociedade socialista.
Apesar de ser por caminhos diferenciados, complexos e sujeitos a extremas
dificuldades, é essencial para a humanidade que alcancem com êxito tal
objectivo.
Segundo: os movimentos e organizações sindicais de classe, lutando
corajosamente em defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores.
Terceiro: partidos comunistas e outros partidos revolucionários, firmes,
corajosos e confiantes.
Quarto: movimentos patrióticos, com as mais variadas composições
políticas, actuando em defesa dos interesses nacionais e da independência
nacional.
Quinto: movimentos pacifistas, ecologistas e outros movimentos
progressistas de massas.
É no conjunto destas forças que pode residir e que reside a esperança de
impedir a vitória final da ofensiva do capitalismo visando impor em todo o
mundo o seu domínio universal e final.
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O domínio mundial do capitalismo como sistema único e final teria como
resultado e componente, segundo os seus teóricos, o «fim das ideologias» e
o «pensamento único».
Trata-se de uma utopia da ofensiva global do capitalismo.
O ser humano continua pensando. E o pensamento e a ideologia dos
trabalhadores e dos povos oprimidos serão sempre inevitavelmente opostos à
das potências e classes exploradoras e opressoras.
Princípios fundamentais do marxismo (filosofia, economia, socialismo),
respondendo criativamente às mudanças no mundo, mantêm inteira validade.
Apresentamos ao Encontro Internacional esta nossa reflexão sobre «O mundo
de hoje» como sendo também uma proposta de reflexão.
* Contribuição de Álvaro Cunhal para o
Encontro Internacional «América Latina: su potencialidad transformadora en
el mundo de hoy»
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