Algumas ameaças ambientais em 2006:

 



• Interesse público dos empreendimentos turístico-imobiliários no Litoral Alentejano
Em sequência da avaliação de impacte ambiental desenvolvida para os projectos turístico-imobiliários no Litoral Alentejano em plena Rede Natura 2000, loteamentos da Costa Terra e Herdade do Pinheirinho, a declaração de impacte ambiental emitida pelo Secretário de Estado do Ambiente condiciona o seu parecer favorável à existência de razões imperativas de interesse público. O próximo ano, caso o governo venha a reconhecer algum interesse público a estes projectos, poderá ser um momento muito difícil para a manutenção da integridade do sítio da Rede Natura 2000 “Comporta/Galé”.

• Mais Incêndios Florestais
O ano 2005 revelou mais uma vez que apesar da lição dada ao país pelos incêndios de 2003, continuamos sem estar preparados para fazer face a este grave problema. A área ardida em 2005 comprova que ainda não foram tomadas medidas substanciais para minimizar esta catástrofe que sistematicamente atinge a nossa floresta. Enquanto a sociedade portuguesa não compreender que é com a aposta na prevenção, vigilância e primeira intervenção que iremos conseguir salvar a nossa floresta, o fogo continuará a provocar enormes estragos no nosso património natural. O ano de 2006, pela falta de estratégia nas medidas de prevenção, poderá ser mais um ano negro para a floresta portuguesa.

• Derrame de combustíveis no mar
A forma lenta, desadequada e sem meios que tem caracterizado a intervenção relativa ao cargueiro “CP Valour” encalhado na ilha do Faial, revela o risco que corre a extensa Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa. A ZEE portuguesa possui uma dimensão 18 vezes superior à área terrestre do país e constitui um local de passagem para uma grande quantidade de navios, muitos dos quais transportando produtos perigosos, nomeadamente hidrocarbonetos. A ausência de mecanismos de fiscalização e intervenção adequados à dimensão do mar português deixa o nosso país à mercê de um elevado risco de ocorrência de incidentes ou práticas ilegais capazes de provocar graves situações de poluição marinha. O próximo ano será novamente caracterizado pela ausência de navios de combate à poluição e escassez de outros meios, nomeadamente de meios adequados de vigilância aérea e de patrulhamento marítimo, deixando à mercê do acaso a ocorrência e as consequências de um derrame de produtos perigosos.


Lisboa, 28 de Dezembro de 2005
A Direcção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza