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Quercus alerta CE para violação de directiva
| A Quercus
alertou recentemente o Comissário do Ambiente, Stravos Dimas, para
o perigo que ameaça a integridade da Rede Natura 2000 no Litoral
Alentejano. O responsável pelo Ambiente na Comissão Europeia foi
informado pela Quercus de alguns procedimentos, no âmbito de
vários planos e projectos para o sítio Natura 2000
“Comporta/Galé”, que desrespeitam as regras previstas na Directiva
Habitats (Directiva 92/43/CEE) e que comprometem os seus
objectivos de conservação do património biológico.
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Em Julho último terminou o processo de avaliação de
impacte ambiental de 2 grandes projectos turístico-imobiliários previstos
para a freguesia de Melides, concelho de Grândola, no sítio da Rede Natura
2000 “Comporta/Galé” (PTCON0034). Trata-se do projecto de loteamento da
Costa Terra, ao qual está associado um campo de golfe que teve avaliação
de impacte ambiental separada, e do projecto de loteamento da Herdade do
Pinheirinho, também com um campo de golfe associado mas que foi avaliado
em conjunto com o projecto de loteamento.
Em sequência do processo de avaliação de impacte ambiental foi emitido,
para ambos os projectos, declaração de impacte ambiental favorável
condicionada ao reconhecimento, por despacho dos ministros competentes na
matéria, da ausência de soluções alternativas e da sua necessidade por
razões imperativas de reconhecido interesse público, incluindo de natureza
social ou económica.
Estes dois projectos ocupam uma área de cerca de 475 hectares e
representam a instalação de cerca de 10 mil camas turísticas e
residenciais. No seu conjunto estes dois projectos, numa extensão de
apenas 3 Km de costa, prevêem 410 moradias, 3 hotéis, 10 apart-hotéis, uma
estalagem, 7 aldeamentos/apartamentos e 2 campos de golfe, entre outras
infra-estruturas, estando já construído na mesma faixa um aldeamento e um
parque de campismo.
No concelho de Santiago do Cacém está também em fase de aprovação o Plano
de Pormenor da Costa de Santo André que prevê a implantação de mais de
2000 camas turísticas em cerca de 80.000 m2 da Rede Natura 2000 (Sítio
Comporta/Galé) com a implantação de três hotéis, um aldeamento turístico,
um complexo desportivo, o aumento da capacidade do parque de campismo
existente e inúmeros imóveis de 2ª habitação que farão quintuplicar a
pressão humana nesta zona do Litoral Alentejano.
Na missiva enviada ao Comissário do Ambiente, a Quercus chamou a atenção
para várias questões referentes aos planos e projectos que têm sido
apresentados para o sítio Natura 2000 “Comporta/Galé” e que desrespeitam
as regras previstas na Directiva Habitats:
1- Portugal não está a garantir a avaliação dos impactes ambientais
cumulativos dos vários planos e projectos que têm sido apresentados para
este sítio da Rede Natura 2000, contrariando o disposto no nº 3 do artigo
3º da Directiva Habitats.
2- O Plano de Pormenor das Fontainhas, no Concelho de Grândola, onde se
inserem os projectos de loteamentos Costa Terra e Herdade do Pinheirinho,
juntamente com os respectivos campos de golfe, foi aprovado em Conselho de
Ministros pela Resolução n.º 57/2003 de 11 de Abril sem o desenvolvimento
de uma avaliação de impacte ambiental, contrariando a Directiva Habitats
que requer avaliação de impacte ambiental dos planos integrados na Rede
Natura.
3- O Plano de Pormenor da Costa de Santo André, Santiago do Cacém, está em
fase de aprovação sem que tenha sido emitido o obrigatório parecer do
Instituto de Conservação da Natureza nem desenvolvido o necessário
procedimento de avaliação de impacte ambiental.
4- Para os planos e projectos acima referidos não foram avaliadas
alternativas de localização, nomeadamente fora da Rede Natura 2000, ao
contrário do que prevê a Directiva Habitats.
5- Tendo em conta que na área de influência dos projectos de loteamento
Costa Terra, Herdade do Pinheirinho e respectivos campos de golfe está
presente uma espécie de protecção prioritária, a Armeria rouyana (espécie
incluída no anexo II da directiva comunitária 92/43/CEE), de acordo com a
Directiva Habitats “apenas podem ser evocadas razões relacionadas com a
saúde do homem ou a segurança pública ou com consequências benéficas
primordiais para o ambiente ou, após parecer da Comissão, outras razões
imperativas de reconhecido interesse público” para aprovação dos
projectos. Desta forma, o reconhecimento de razões imperativas de
interesse público, incluindo de natureza social e económica, prevista nas
declarações de impacte ambiental emitidas, não pode ser utilizado para que
estes projectos sejam viabilizados dentro da Rede Natura 2000.
Lisboa, 26 de Outubro de 2005
A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da
Natureza
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