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«Ambientológico» auxilia
Governo a tomar decisões
A associação ambientalista Quercus ofereceu hoje ao
ministro Francisco Nunes Correia um «Ambientológico», aparelho para
«auxiliar o Governo a tomar decisões acertadas», no âmbito das
comemorações do Dia Mundial do Ambiente.
Equipado com «alta tecnologia de inteligência artificial», o «Ambientológico» foi deixado no Ministério pela Quercus, que desta forma pretendeu chamar a atenção para as opções do Executivo nos últimos anos, que considera «incorrectas». Em declarações à agência Lusa, o presidente da associação, Hélder Spínola, explicou de forma irónica que o aparelho poderá «ajudar o Governo a tomar opções correctas que conduzam à melhoria da qualidade ambiental em Portugal». No Dia Mundial do Ambiente, Hélder Spínola recordou «a expectativa elevada que criou» quando Francisco Nunes Correia tomou posse, há mais de um ano, porque José Sócrates tinha sido ministro do Ambiente e porque a nova equipa tinha «muita experiência». «A desilusão foi mais profunda por ter estas expectativas», lembrou o representante da associação, que condena o Governo por ter dado luz verde a dois projectos na área de Rede Natura 2000: a Costa Terra e a Herdade do Pinheirinho, que prevêem mais de sete mil camas no litoral alentejano. Para os ambientalistas os dois «mega projectos» vão abrir «portas para que estes espaços de primordial importância para a Conservação da Natureza sejam arrasados pela construção e pressão humana». Uma posição também defendida pelo presidente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Eugénio Sequeira, que considera primordial a aposta no desenvolvimento de um turismo mais sustentável com mais-valias a médio e longo prazo. Contactado pela agência Lusa, também o presidente da Geota, Carlos Costa, apontou este projecto como um erro, alertando para o facto de se estar a «atingir um recurso que não é renovável: o solo». Carlos Costa considera primordial que a população comece a ter uma «mentalidade eco-eco» (ecológica e económica), uma vez que «a ecologia e a economia são faces da mesma moeda». Para os ambientalistas, está a ser feita uma desafectação das áreas da Reserva Ecológica Nacional e da Reserva Agrícola Nacional «sem qualquer critério a não ser a necessidade de viabilizar projectos de natureza imobiliária, fragmentando estes importantes instrumentos de ordenamento em todo o território nacional». Já no que toca à água, a Quercus alerta para o facto de Portugal continuar «a despejar para o meio ambiente cerca metade das águas residuais sem um tratamento adequado». A produção de resíduos é outro dos pontos que preocupa os ambientalistas portugueses, que assistiram nas duas últimas décadas a um aumento de «125 por cento da produção de resíduos», de acordo com dados da Quercus. «Actualmente são produzidas 4,5 milhões de toneladas de resíduos domésticos por ano, 1,2 kg de lixo por habitante/dia», refere aquela associação ambientalista num comunicado enviado para a agência Lusa.
Setúbal na Rede, 05/06/2006
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