PRESSÃO EMPRESARIAL
Os mais de 200 quilómetros de orla marítima alentejana e
vicentina, de Tróia a Sagres, percorrem sete concelhos, embora
um deles, Santiago do Cacém, não seja importante para a
questão, já que tem jurisdição apenas sobre uma pequena
extensão na zona de Santo André.
Os outros concelhos com orla marítima são Grândola, que inclui
Tróia, Alcácer do Sal, Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo
onde realmente se joga o futuro turístico de toda a costa. E
aqui as pressões sobre os poderes públicos são muito fortes:
as autarquias sentem urgência em responder aos anseios de uma
vida melhor por parte das populações que estão em termos
estatísticos na cauda do desenvolvimento da UE; e há
empreendedores que querem rentabilizar os seus investimentos ,
às vezes já com dezenas de anos, na compra de terrenos com
elevado potencial turístico.
A questão complexa é que mesmo tendo definido uma zona de
protecção especial, com a constituição do Parque Natural do
Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina com controlo sobre 75
mil hectares, ao longo da costa de São Torpes, ao Sul de
Sines, até ao Burgau no concelho de Vila do Bispo, existe um
risco permanente de tudo perder. Afinal, o Estado não é
proprietário de nenhum dos terrenos abrangidos pelo parque e a
permanente procura de formas de rentabilização por parte dos
investidores conhecidos pela ligação à indústria turística
suscita uma guerra que se sabe vai acelerar com a abertura, já
em 2006, do plano de ordenamento do parque, respeitado sem
concessões desde que foi aprovado em 1995.
Adiante-se que o plano de ordenamento estabelecia quotas para
investimentos turísticos consideradas aceitáveis para os
recursos existentes: foi definido que o turismo Sol e Mar
tinha um potencial de 100 mil veraneantes no conjunto das
praias do parque e partir desse número fixou-se um limite de
construção de camas que não excedesse as possibilidades
normais de acolhimento.
650 OU QUATRO MIL CAMAS
Um exemplo dos contenciosos na costa alentejana provocados
pela imposição de um planeamento corre em tribunal a propósito
da praia dos Aivados, ao sul de Porto Covo, onde o promotor
insiste num projecto de quatro mil camas quando só está
prevista a existência de 650 na zona.
Também polémico é o caso de Vila Formosa, no concelho de
Odemira, porque o projecto excederá as 1600 camas previstas no
plano de ordenamento.
Dado o sinal de arranque do investimento turístico na costa
alentejana é decisivo que se atente aos vários interesses em
jogo, para dentro de alguns anos não se estar a clamar contra
a corrupção e a lamentar a perda da última zona protegida da
costa. Mas não se pode pôr os privados a pagarem a defesa do
património natural. Na Grã-Bretanha, uma organização de índole
pública, a National Trust, com milhares de sócios, adquire os
terrenos com interesse patrimonial e os riscos de destruição e
corrupção são muito reduzidos.
TURISMO RURAL PREDOMINA
Com a orla marítima controlada em mais de metade da sua
extensão pelo Plano de Ordenamento do Parque Natural do
Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, as iniciativas
turísticas mais frequentes apostam nas regiões interiores. O
Alentejo é assim um paraíso do turismo rural não só em termos
de residências secundárias, muito acessíveis a partir da
Grande Lisboa, como também na transformação de montes e
herdades em estabelecimentos hoteleiros.
A dinâmica deste sector pode apreciar-se no ‘site’
agroportal.pt que oferece 36 locais de turismo rural nos
distritos alentejanos, Portalegre, Évora, parte sul de Setúbal
e Beja. Há localidades muito belas, com Marvão e Monsaraz à
cabeça, e desafios variados desde “uma casa tipicamente
alentejana onde funcionava uma taberna e um alojamento desde o
princípio do século passado”.
DESTINO
Um inquérito da Direcção-Geral de Turismo sobre os destinos de
férias dos portugueses, relativo a 2004, refere que apenas
9,9% dos que saíram da sua residência escolheram o Alentejo. O
Algarve liderou com 35,3% e o Norte teve 26,1% .
PREÇOS
O Alentejo tem de acordo com o relatório de conjuntura da DGT
dos preços mais baixos do País, apresentando uma média de
78,60 euros por quarto duplo em estabelecimento hoteleiro.
Mais barato só há a zona Centro com 68,89 euros.
SEM FÉRIAS
Os alentejanos são fracos turistas, figurando entre os
portugueses que menos saem da sua residência para gozar
férias. Neste aspecto só os algarvios viajam menos devido aos
muitos atractivos que têm à porta de casa.
HOTELARIA
Apesar dos cerca de 200 km de costa marítima, o Alentejo está
ao contrário do resto do País voltado para o Interior. Tem um
campo de Golfe em Marvão e os melhores hotéis são, por
enquanto, em zonas históricas, longe das praias.
QUEBRA
Os últimos números relativos ao 1.º trimestre de 2005 mostram
que o Alentejo é a única região do País em quebra de dormidas
turísticas, relativamente a 2004, com menos 3% em nacionais e
menos 8,2% em clientes estrangeiros.
AUTARCAS REVELAM PROJECTOS PARA OS SEIS CONCELHOS VIRADOS À
COSTA MARÍTIMA ALENTEJANA E VICENTINA
ALCÁCER DO SAL
Na freguesia de Comporta foi construído um hotel com 80 camas,
o empreendimento turístico do Montalvo (300 camas) e o
aldeamento Casas da Comporta (138 apartamentos e moradias). Em
fase de apreciação, segundo o edil, está o empreendimento
Herdade da Comporta que prevê um total de 3500 camas.
GRÂNDOLA
De acordo com o autarca de Grândola já estão aprovados os
empreendimentos de Tróia (dez mil camas), do Carvalhal (5700),
do Pinheirinho (1950) e de Melides (2700), que criarão dez mil
postos de trabalho. Os investimentos dos grupos Sonae, Amorim,
Espírito Santo, Pelicano e Costa Terra somam 1730 milhões de
euros.
SINES
Para a zona de Porto Covo existem actualmente três projectos
que estão em fase de apreciação. O autarca Manuel Coelho
adiantou apenas que um dos empreendimentos turísticos deve
ficar junto à barragem de Morgavel. Na cidade de Sines está
prevista a construção de um hotel com 140 camas e centro de
congressos.
ODEMIRA
O empreendimentos turísticos de Vila Formosa (Milfontes) e do
Montinho da Ribeira (Odemira) são os dois projectos que
deverão avançar no concelho depois de aprovados os estudos de
impacte ambiental. Segundo o autarca, ambos terão campos de
golfe, hotéis e aldeamento turístico com um total de 2600
camas.
ALJEZUR
A Câmara aprovou o estudo de informação prévia de um hotel de
5 estrelas, com 100 quartos, no sítio do Canal. Em apreciação
estão três projectos de turismo rural, de pequena dimensão,
condição imposta, salienta o presidente da autarquia, Manuel
Marreiros, pelos planos de ordenamento da área de ocupação
turística.
VILA DO BISPO
Em Sagres será construído um hotel com 70 quartos. O projecto
de arquitectura já foi aprovado pela Câmara, que aprecia
outras propostas de investimento na área dos ‘resorts’.
Gilberto Viegas, presidente da autarquia, pretende ainda
implementar o porto de recreio da Baleeira para dinamizar o
turismo náutico.
|