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A campanha para as presidenciais é em
grande medida inútil e corre o risco de se tornar, em vez de uma campanha de
esclarecimento, numa "campanha de obscurecimento".
Os principais concorrentes são velhos conhecidos do povo português,
frequentaram um grande número de eleições, exerceram cargos públicos durante
muitos anos, deram milhares de entrevistas. É caso para perguntar o que
temos para descobrir nesta campanha que não saibamos já "de ciência certa"
com base na mãe de toda a sabedoria, a experiência. Nada.
Sendo a eleição para um cargo unipessoal é marcada fundamentalmente pela
"personalidade e qualidades" dos candidatos; os próprios manifestos são a
vários títulos irrelevantes (por causa dos limites constitucionais da acção
presidencial mas também porque, como temos visto, as garantias dadas nas
campanhas são fácilmente desrespeitadas com o pretexto da mudança das
circunstâncias). A personalidade dos candidatos está o povo farto de
conhecer.
Assim sendo devemos concluir que a campanha só pode ser usada para
mistificar, para impor uma nova imagem dos candidatos que obscureça aquela
que a experiência vivida construiu na mente dos eleitores.
-O Cavaco quer deixar de ser apenas o competente mas hirto professor de
finanças para ser o avô preocupado com os desfavorecidos e com o futuro da
nação.
-O Soares quer deixar de ser o padrinho da esquerda, de charuto bem
almoçado, para se converter no paladino da luta contra o capitalismo (desde
que seja selvagem).
-O Alegre já não será o poeta que passa a vida a planear as pescarias e
caçadas para se tornar o "sem abrigo" dos partidos com que sempre pactuou.
-O Jerónimo e o Louçã, honra lhes seja feita, não mudaram o discurso. Apoiam
todas as reivindicações e direitos adquiridos sem cuidarem de explicar quem
vai pagar a conta (o Jerónimo chegou ao ponto, esta ouvi eu, de dizer que os
juizes não são uma elite).
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Fernando Penim Redondo
- Novembro 2005 |