Os poderes do Professor KAWAKU

 

 

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As sondagens recentes mostram uma tendência inelutável para o fim do “Tempo dos Ilusionistas” e a emergência do “Tempo dos Feiticeiros”.

Os Ilusionistas, diz-se, tiveram as suas glórias mas já não são o que eram.
Calhados nas artes do faz de conta prometiam fazer desaparecer isto e aquilo mas toda a gente sabia que as promessas eram a mangar.

Enchiam urnas com votos e depois, numa guinada da batuta, tudo se esfumava sem que eles soubessem explicar para onde.

Com as cartas, baralhavam e tornavam a dar e só saíam duques.

Anunciavam que fariam desaparecer o pântano Dunoçoatrazo mas afinal quem desaparecia eram eles (diz-se que vagueiam agora, como almas penadas, em Bruxelas e Nova York).

Em vez de tirar os pombinhos das cartolas, com o pretexto da gripe das aves, passaram a tirar coelhones o que se converteu numa grande seca.

Há já algum tempo deixaram de serrar as suas partenaires e começaram a serrar presunto.

Aquilo em que ainda tinham algum sucesso, apesar de tudo, era em pegar num manjerico qualquer e, zás !, fazê-lo aparecer num Conselho de Administração.

A gota de água que fez transbordar o copo da impaciência popular foi a promessa recente de fazer desaparecer o défice; quando se foi a ver o que realmente tinha desaparecido eram as reformas, os abatimentos fiscais, os aumentos dos vencimentos e o “diabo a quatro”.

Vendo a tenda do circo a claudicar saltou para a arena o Grande Suarez, o decano dos Ilusionistas, e garantiu que mostraria a quem quisesse ver que a ilusão tudo pode e tudo vence. Prometeu fazer dormir tranquilamente toda a plateia e até mesmo as feras nas jaulas.

Em vão. O povo desanimado ansiava pelo Professor KAWAKU, feiticeiro recém-chegado. A fama dos seus poderes fora mais célere do que a vassoura que o trouxe de Bole-e-Queima.

E tudo isto porquê ? Porque o povo agora quer truques a sério.

O povo está farto do tom coloquial dos ilusionistas popularuchos e quer uma atitude hirta, hierática, e as poucas palavras que sejam abracadabras.

O povo está-se literalmente marimbando para os poderes constitucionais; o que lhe interessa são os poderes do Professor KAWAKU (que ele diz que exercerá activamente).

O povo não quer políticos adiposos como o aparelho de Estado. A única gastronomia que interessa é a poção mágica que mantém KAWAKU elegante e em grande forma.

Quando engolir um sapo o povo quer mesmo que apareça um príncipe encantado que resolva mesmo todos os seus problemas.
 

Fernando Penim Redondo - Novembro 2005