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O
negócio dos ASP («Aplication Service Provider») em Portugal, após uma fase
de desencanto, tem os primeiros utilizadores e dá sinais de maturidade
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Rui
Ochôa
Tal como
os «service bureau» dos anos 70 (na foto), os ASP propõem-se alugar «software»
e capacidade de processamento
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A EXEMPLO do que
acontece noutras áreas de actividade, também na informática há modas que se
vão repetindo ciclicamente ao longo do tempo. Se nos anos 70 era vulgar uma
empresa subcontratar uma entidade exterior para fazer o processamento de dados -
os chamados «service bureau» - nas décadas de 80 e 90, a maioria das organizações
optou por ter os computadores e as aplicações «dentro de casa». Mas foi só
nos dois últimos anos, com a banalização da Internet, que começou de novo a
fazer sentido confiar a informática a uma entidade externa.
Surgiram então os
ASP (acrónimo anglo-saxónico de «Aplication Service Provider»), um conceito
que não é mais do que a utilização remota, através de «web browser», de
aplicações de «software» em regime de aluguer. Para muitos, configurava a
solução ideal para o «outsourcing» da área de informática: os custos
passavam a estar controlados, haveria menos preocupações com a manutenção e
com a actualização de «software» e os recursos humanos internos podiam ser
reduzidos.
Apanhando a crista da
onda de entusiasmo que varreu a economia da Internet nos últimos anos, os ASP
surgiam nessa altura como um negócio de grande futuro, quer para as empresas de
«software», quer para os operadores de telecomunicações, que viam nesta
tecnologia uma forma de aumentar o tráfego de dados nas suas redes. As previsões
entusiásticas, propagandeadas aos «quatro ventos» pela maioria dos analistas
de mercado mundial de Tecnologias de Informação faziam antever um «boom».
Alguns analistas previam que em 2003 o mercado mundial de aluguer de «software»
poderia valer cerca de 20 mil milhões de dólares (4,5 mil milhões de contos),
quando em 1999 nem sequer existia. Centenas de iniciativas foram surgindo nos
EUA e na Europa ao longo de 2000.
Mas, tal como
aconteceu com outras áreas da nova economia, a «bolha» rebentou, tendo-se
passado rapidamente da euforia ao desapontamento. Em finais do ano passado, o
Gartner Group já previa em Dezembro de 2001 «60% dos ASP irão desaparecer
devido a modelos de negócio e a parcerias inadequados, à inabilidade em
executar e à consolidação de mercado». De uma primeira fase
caracterizada pela «experimentação e uso da tecnologia pela tecnologia»,
caminhou-se nos últimos meses, de acordo com um estudo da Mercer Consulting,
para projectos de aluguer de «software» através da Internet «mais virados
para as necessidades dos utilizadores».
Euro
promete «boom» em Portugal
Ao mesmo tempo, a
oferta de ASP deixou de ser um simples aluguer remoto de «software» através
da Internet, passando a ter diferentes gradações de «outsourcing» (A Mercer
Consulting identificou nove modelos de negócio de ASP) e a segmentar-se de
acordo com a dimensão das empresas (PME e grandes empresas) e a aplicações
horizontais e verticais. «Queremos continuar na segmentação vertical de
aplicações», comenta Calado da Costa, director de «marketing» da YASP,
um ASP que está a aumentar a oferta vertical desenvolvendo mais aplicações
nas áreas de gestão para a indústria. Para Calado da Costa a evolução do
mercado de ASP está a ser «mais rápida do que esperava, mas mais lenta do
que o desejável».
«O segmento
verticalizado é o que vai vingar»,
corrobora Paulo Ribeiro, administrador da TASP. Com cerca de 4000 clientes, a
maioria provenientes de serviços de «hosting» prestados anteriormente pela
Telepac, este ASP posiciona a sua estratégia para este segmento, uma vez que «parceiros
como a Primavera ou a Jurinfor estão actualmente a desenvolver aplicações
específicas em várias áreas ou simplesmente a converter 'software' para o
formato 'on-line'».
Contudo, Paulo
Ribeiro espera resultados a curto prazo. «Ainda existe uma grande falta de
confiança das empresas no modelo de ASP. As empresas, nomeadamente PME, detêm
muitas vezes um preconceito e uma desconfiança quanto à segurança que,
enquanto persistir, irá atrasar o desenvolvimento dos ASP. Há um enorme
trabalho evangelizador a fazer», comenta.
Uma questão que para
Nuno Coelho da IXIS não passa pelo modelo de ASP em si, mas sim pelas aplicações
que serão disponibilizadas pelas empresas de ASP: «Quem sobreviverá serão
as empresas que dispõem de soluções que sirvam eficazmente os interesses das
empresas». Iniciando a sua actividade em Julho de 2000, a IXIS foi o
primeiro ASP a surgir em Portugal e tem o «break even» operacional previsto já
para o final do ano, assim como uma facturação de 300 mil contos para 2001.
Para desmistificar as
questões desta tecnologia, surgiu, entretanto, o ASPIC (ASP Industry Consortium)
- localizável em www.aspindustry.org : «Esta associação pretende educar o
mercado, nomeadamente as PME que se encontram menos bem informadas sobre as
questões desta tecnologia», afirma Vasco Monteiro da Tecnidata.
Presidida em Portugal
actualmente pela TASP, esta associação, que conta com a participação da
maioria das empresas dos ASP em Portugal visa, ainda, a criação de contactos
junto a instituições como o IAPMEI, criar «roadshows», seminários e
trabalho pedagógico para fomentar esta sensibilização junto das empresas,
nomeadamente PME. Devido a este problema de base cultural «será mais fácil
as empresas aceitarem 'softwares' de CRM ou 'e-business', uma vez que nos ERP
poderá haver o sentimento erróneo de que os seus dados estão expostos a
terceiros», acrescenta Paulo Ribeiro.
Não menos importante
para o aumento do mercado em Portugal está a ser a familiarização das partes
envolvidas no negócio com os estabelecimento das definições do níveis de
serviço (SLA – Service Level Agreement). Um aspecto crítico, dado que o
cliente do serviço fica na dependência da infra-estrutura do ASP, colocando-se
questões de confidencialidade de dados e segurança de acesso às aplicações.
JOÃO
RAMOS/MANUEL POSSER ANDRADE
Fonte:
"Expresso", 05-05-2001
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