O Modelo ASP

na Administração Pública

 

Será que o modelo ASP (Application Service Provider) se poderá aplicar à Administração Pública Portuguesa? Em caso afirmativo, que vantagens poderá trazer?

É facto aceite que a Administração Pública Portuguesa necessita urgentemente de agilizar os seus processos operacionais. Esta agilização passa, na generalidade, pela sua restruturação funcional e orgânica, assim como pela introdução de novos sistemas e tecnologias de informação que apoiem de forma eficaz toda a optimização de processos.

Com efeito, os níveis de prestação de serviço e de eficácia que são requeridos pela sociedade moderna não se compadecem com processos administrativos muito burocratizados e quase exclusivamente assentes em suportes de papel. Nos tempos actuais, os custos, directos e indirectos, da manutenção desta situação são insustentáveis, não só pelos seus encargos financeiros mas, sobretudo pelos potenciais impactos negativos sobre a economia e a sociedade portuguesa.

Reestruturar uma “máquina” tão complexa ao nível orgânico e funcional é tarefa complexa e geradora de perturbações no normal funcionamento das instituições e do próprio Estado. Contudo, informatizar representará, inquestionavelmente, um esforço extremo mas, previsivelmente, compensador. De facto, considerando a quantidade de processos que ainda hoje são realizados sem qualquer suporte informático, e aliando este facto ao números de aplicações informáticas desactualizadas que os Organismos e Instituições do Estado utilizam, rapidamente nos apercebemos da extensão do problema, dos investimentos necessários e das dificuldades em tomar decisões que contribuam para a sua resolução.

 

À primeira vista, parece impossível informatizar - mas, na verdade, será?

Existem já casos de outsourcing no Estado. Algumas Instituições recorreram a esta solução para obviar a questões decorrentes da falta de capacidade para realizar uma completa exploração dos seus meios informáticos. Conseguiram, desta forma, reunir num espaço relativamente reduzido, toda a complexidade e know-how necessários, aliviando uma parcela significativa dos encargos inerentes. É importante, pois, lançar o desafio para o próximo passo. Porque não transformar estas entidades em “fornecedores internos” do Estado utilizando o modelo ASP?

 

Um Modelo ASP na Administração Pública

Conceitos à parte, a linha de separação entre o ASP e o Outsourcing é muito ténue: só recorrendo a detalhes é possível perceber a diferença. Tais detalhes são, sucintamente, a Posse e a Forma de Acesso. 

Com efeito, num modelo ASP, o software, o hardware, as comunicações, as infra-estruturas e os recursos humanos necessários para a sua utilização, não são (nem nunca foram) pertença do utilizador - só os dados resultantes das tabelas mestres e das transacções efectuadas. Desta forma não se constituem em imobilizado corpóreo ou incorpóreo - a Posse destes meios é propriedade “de terceiros”.

Por outro lado, a Forma de Acesso assume duas vertentes: um fornecedor único para uma multiplicidade de utilizadores finais e o canal  usado para disponibilizar esse acesso, preferencialmente a Internet.

A aplicação deste conceito aos Organismos e Instituições Estatais terá, por certo, mais vantagens do que desvantagens, senão vejamos.

Tomando como exemplo os encargos com a posse das aplicações, seria possível convertê-los em custos de exploração, previsíveis e controláveis pela introdução de uma “entidade terceira”, embora interna, que libertaria as entidades “clientes” do ónus de manutenção e do controlo da garantia das condições de exploração das aplicações. Poderiam assim, dispor dos recursos financeiros, escassos, para assegurar a sua actividade base (concentração no core business).

Esta “terceira” entidade seria responsável por manter as aplicações em perfeitas condições de operação, dentro dos limites de operacionalidade desejados, que poderiam incluir alta disponibilidade, segurança física e tecnológica, telecomunicações, infra-estruturas, administração dos sistemas, das bases de dados e das aplicações, actualização de versões, correcções de erros, implementação, adaptações e acrescentos de funcionalidade, apoio aos utilizadores finais.

 

  

 

 

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