IMPLEMENTAR UMA SOLUÇÃO DE "e-Procurement" - Parte 2

ver PARTE 1

Passando do geral ao concreto dedicamos, esta segunda parte, à caracterização dos aspectos principais para implementar soluções electrónicas de Procurement.

À medida que o meio envolvente pressiona as empresas, assiste-se a uma maior concentração no seu core business e à consequente alienação de actividades indirectas, que passam a ser asseguradas por sub-contrato ou outsourcing. Assim se criam relações externas com entidades terceiras que fazem com que a função das Compras assuma um caracter cada vez mais vital: delas passa a depender grande parte da sua actividade, da sua performance financeira e da sua competitividade global. De uma forma crescente, as Compras passam a ser responsáveis por fluxos financeiros, de materiais e de informação extremamente valiosos para as organizações e, por certo, não negligenciáveis. 

Por tudo isto, as Compras evoluem de uma função de suporte, considerada “administrativa”, convertendo-se num elemento imprescindível para a prossecução das estratégias das empresas – como é costume agora dizer-se as «Compras passam a ser “estratégicas”».

A primeira tarefa a realizar para implementar soluções electrónicas de Procurement, prende-se com a definição de uma clara estratégia para os Aprovisionamentos. 

Uma das primeiras actividades a ser sujeita a regime de outsourcing foi a Manutenção Industrial: muitas empresas industriais compreenderam que sub-contratar os serviços de especialistas para assegurar a operacionalidade das suas instalações e equipamentos fabris tinha mais benefícios do que inconvenientes – permitia, inclusivamente, converter custos fixos em despesas operacionais, perfeitamente previsíveis e controláveis.

Embora os contratos iniciais com as entidades prestadoras de serviços de manutenção possam não ter sido da responsabilidade das Compras, muito rapidamente lhes foram entregues acompanhados pelas tarefas de controlo da execução e de renegociação. Ou seja, centralizaram-se nas Compras funções de caracter estratégico como o "sourcing" e a negociação, deixando-se para as áreas utentes da Manutenção, as tarefas de baixo valor acrescentado; requisitar e recepcionar os serviços necessários para manter as instalações em condições operacionais.

Serve este exemplo para referir dois aspectos importantes da estratégia dos Aprovisionamentos: 

  1. a centralização do sourcing e da negociação, e

  2. a descentralização da requisição e da recepção.

O exemplo contém, ainda, uma outra peça fundamental do Procurement, os contratos de fornecimento. Verbais ou formais, os contratos representam os elos de ligação entre os clientes e os fornecedores, estabelecendo os preços, as condições comerciais aplicáveis e todas as outras cláusulas que regulam as relações neles expressas.

Em resumo, a estratégia para os Aprovisionamentos deve estabelecer, entre outros, se:

  • O "sourcing" e a negociação são centralizados;

  • A requisição e a recepção são descentralizados;

  • A maioria das aquisições vai ser abrangida por contratos de fornecimento.