Nesta secção de Gurus, é grande a responsabilidade pela
escolha do primeiro eleito. Isto especialmente por pretendermos trazer aqui
alguém influente nas teorias da gestão, e a quem não é dado, na nossa opinião o
relevo que justifica.
O Dr. Elyahu Goldratt é um físico Israelita que publicou
pela primeira vez em 1985 um livro de gestão num estilo “love story”, em
parceria c/ Jeff Cox, a que foi dado o título THE
GOAL com o
subtítulo A Process of Ongoing Improvement.
THE GOAL, como aliás
outros títulos posteriores,
foge ao formato tradicional dos livros de gestão, formais e afirmativos,
contando-nos a vida de um encarregado de produção em dificuldades, que
transfere muitas vezes para o ambiente familiar. No seu estilo Socrático onde
as perguntas e dúvidas são o caminho para a busca de soluções, as 337 páginas
da novela lêem-se de uma só vez, mas a sua riqueza de conteúdo obriga-nos a
revisitá-lo muitas vezes, pois incomoda quem tem responsabilidades de gestão.
Engana-se quem pensa que o livro é apenas sobre a
produção, como veio a ser mais clarificado nas publicações posteriores.
THE GOAL está na origem
da TOC (Theory of
Constraints – Teoria dos Estrangulamentos ou Restrições) que, em termos
muito sucintos, nos diz que, numa organização ou sistema, seja ele qual for,
existe sempre pelo menos um estrangulamento (ou restrição) que limita e
condiciona o pleno alcançar dos objectivos a que a organização se propõe. Na
opinião do Dr. Goldratt, é um recurso que tornando-se escasso, deve merecer toda
a atenção da gestão no sentido de aliviar o “stress” que sobre ele incide e que
por isso deve ser em sua função que as prioridades devem ser definidas. Este
recurso pode ser uma máquina, um colaborador, uma matéria prima, o mercado ou
outro. Por vezes não é fácil encontrá-lo, mas um método simples será ver onde é
que se acumulam trabalhos, stocks, etc., à espera de serem despachados. O
“botleneck” está mesmo ali à esquina.
Muitas vezes, verifica-se que o constrangimento existe nos
sistemas, práticas e políticas de gestão, e embora pudesse pensar-se que estes
são os mais fáceis de ultrapassar, verifica-se precisamente o contrário. A
maior dificuldade na mudança está nas pessoas e formas de pensar e agir. É
comum concordar com a TOC ao nível teórico, mas depois argumentar que no nosso
caso não se aplica.
A TOC é uma pedrada na
charco da gestão. Põe em causa os métodos tradicionais de custeio de produtos
ou de rateio de custos indirectos e “ficos” pelos produtos. Põe mesmo em causa
modelos de análise mais recentes como o modelo ABC (Activity Based Costing).
A cruzada do Dr. Goldratt tem sido nestes últimos anos
procurar demonstrar que a sua teoria se aplica a qualquer organização e que os
ganhos potenciais são muitíssimo elevados.
Há um número já significativo de sites dedicados ao tema,
mas referimos apenas os mais ligados ao Dr. Goldratt como ponto de partida para
a descoberta de uma abordagem não comum aos problemas da gestão de hoje – www.goldratt.com e www.eligoldratt.com.
A publicação mais recente do Dr. Goldratt, mais uma vez
num estilo novelístico, dedica-se ao mundo das empresas ditas da “nova
economia”. O que é que as tornou em sucessos tão rápidos e as torna tão frágeis?
Que pressões e desafios enfrentam? É mais uma novela sobre a TOC-Theory of
Constriants chamada desta vez NECESSARY BUT NOT
SUFFICIENT.
Se conhece a TOC envie-nos os seus comentários.
Jorge Oliveira Dias
Aspetus