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Quando
há 30 anos iniciei a minha carreira no "Service Bureau" da IBM, a programar em
COBOL, as empresas mandavam os seus documentos para perfurar e processar e
recebiam de volta cartões perfurados e listagens.
Estas
operações eram efectuadas
por aplicações de software relativamente simples, como calcular os vencimentos e imprimir
os recibos, ou produzir as facturas do mês.
Este tipo de
processamento representava, já então, uma forma de ASP em que os dados, em vez de circularem pelas
linhas de telecomunicações, eram
levados em caixotes. Alguém disponibilizava uma aplicação, em instalações
próprias, para que outros as usassem e dela pudessem extrair os resultados
pretendidos. Cada cliente tinha a sua aplicação, desenvolvida pelo "Service
Bureau".
Na raiz deste
modelo estava o preço dos computadores.
Muito poucas empresas
podiam realmente possuir um computador próprio. Às pessoas
nem sequer lhes passava pela cabeça a possibilidade de ter computadores em
casa.
No passo seguinte,
durante a década de 70, apareceram os pequenos sistemas, os “mini-computadores”, com preços viáveis que permitiram a muitas empresas médias
adquirir, finalmente, os seus sistemas.
Nessa fase, trabalhei no “Centro de Instalação” da IBM que tinha por função treinar
o pessoal dos clientes e acompanhar o desenvolvimento das aplicações. Cada
empresa tinha a sua própria equipa de analistas/programadores que desenvolvia
as suas aplicações sob orientação dos especialistas do fornecedor do
hardware.
As aplicações ainda eram relativamente simples:
contabilidade, vencimentos, alguma coisa de "stocks" e facturação.
As máquinas de que
estamos a falar só admitiam um utilizador e só executavam um programa de cada
vez. A sequência das operações era, portanto,
crucial e deveria respeitar a importância de cada processo. No entanto, não havia
simultaneidade nem interacção entre os processos.
Apesar de rudimentares
os computadores ainda eram caros. Para se ter uma ideia do "peso" do hardware
nestes projectos, basta dizer que o fornecedor, por exemplo a IBM, prestava os
serviços de formação e gestão do projecto sem cobrar nada. Estava tudo incluído
no preço do hardware.
Mas as empresas
tinham que pagar os vencimentos dos analistas e programadores ao seu serviço e
também tinham que esperar meses, ou mesmo anos, que as suas aplicações ficassem
prontas.
Por
causa dessa nova barreira abriu-se o capítulo dos pacotes de software.
Nos anos 80 os pacotes
de software de gestão foram ganhando terreno. Mais uma vez a minha carreira
acompanhou as tendências do mercado e trabalhei no lançamento e implementação de um pacote integrado da IBM, o MAPICS.
Este pacote,
introduzido no mercado no fim de 1979, beneficiava já da nova geração de mini-computadores
multi-tarefa e multi-utilizador, também lançados por essa altura, como o IBM S/34.
O salto mais visível
para os utilizadores foi passarem a dispor do seu próprio
terminal com monitor embora só pudessem ver caracteres e não houvesse nada da
"bonecada" que hoje pensamos ter sempre existido. Começou a era da
interactividade.
Os pacotes integrados,
os “packages” internacionais criaram, há vinte anos, um paradigma que
continua a ser dominante: proporcionar ferramentas de gestão,
integradas, que uma vez disseminadas pelos empregados/utilizadores permitiriam às
empresas funcionar e reagir como sistemas.
Os avanços tecnológicos
entretanto registados nas bases de dados, nas redes locais, nas telecomunicações
e mesmo na Internet, não alteraram significativamente este paradigma.
Qual
é então a próxima fronteira ?
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