Lisboa, 3 de Setembro de 2001
O Provedor ... do Cliente
Durante o desenvolvimento de
uma empresa, a implementação de um novo sistema de informação é uma das tarefas
mais complexas e arriscadas de serem realizadas. Porquê?
Existem vários factores que
contribuem decididamente para este facto, dos quais quero destacar:
·
A novidade intrínseca ao sistema a implementar e
consequente grau de desconhecimento das suas exigências,
·
O interesse dos colaboradores da empresa em “adquirirem”
um novo sistema que pode, ou não, colocar em risco o seu status quo,
·
A capacidade de integração da(s) equipa(s) externa(s)
contratada(s) para apoiar a implementação do projecto,
·
A qualidade funcional e tecnológica dos recursos
contratados para o projecto,
·
A capacidade de organização e gestão do projecto
trazida por essas equipas,
·
A capacidade para realizar um eficaz controlo de
qualidade do projecto,
·
A capacidade para realizar uma gestão documental e do
conhecimento gerado durante a execução da implementação,
·
O poder na organização do patrocinador do projecto,
·
O grau de motivação do “campeão” escolhido para a
direcção do projecto, e
·
A existência de uma estratégia e visão de futuro para
as pessoas e empresa na fase após implementação.
Estas não são as únicas
problemáticas associadas à implementação do projecto. No entanto, são alguns
dos temas que devem receber um tratamento muito cuidadoso na fase inicial do
projecto. Mais tarde surgirão outras problemáticas como:
·
O facto do desenho funcional, especialmente dos
interfaces ou dos programas de conversão, poder conter omissões por puro
desconhecimento da estrutura dos ficheiros ou bases de dados dos sistemas
antigos,
·
O consequente impacto no desenho técnico e
parametrização,
·
O surgimento contínuo de novas necessidades, não
detectadas na análise inicial,
·
O “boicote” de utilizadores mais renitentes em relação
ao interesse do novo sistema,
·
O surgimento de situações externas que podem afectar o
desenho funcional, como novas leis, novas exigências fiscais, novas
necessidades da casa-mãe, novas necessidades dos parceiros de negócio
(especialmente dos clientes, mas também dos fornecedores),
·
Etc.
Por tudo isto, é fundamental
que antes de implementação a empresa, ou organização, equacione atentamente a possibilidade
e oportunidade de contratação de uma entidade de competência e experiência
reconhecida na preparação, organização e acompanhamento de execução do
projecto. Designo esta entidade por Provedor do Cliente.
Não estou a pensar na
contratação de uma equipa volumosa e complexa. Estou a pensar em um ou dois
recursos de competência e experiência reconhecida na implementação de sistemas
de informação. A minha experiência particular diz-me que o valor acrescentado
desta entidade pode ser imenso. Desde o encurtar dos tempos de execução do
projecto, até aos ganhos resultantes da existência de um controlo experiente
sobre a direcção externa do projecto, existem vários ganhos significativos.
Mas atenção, a entidade tem de
ser mesmo experiente, quer ao nível de gestão de projecto, quer ao nível
funcional do negócio do cliente, quer ao nível técnico do sistema que se
pretende implementar. Não existem muitas pessoas que reunam em si próprias
todas estas competências, mas algumas existem. E são essas que deve procurar.
Os ganhos da contratação de um
Provedor do Cliente podem ser máximos se esta entidade for contratada antes do
início do projecto, pois muitos problemas nem sequer chegarão a existir. Serão
significativos se a contratação for efectuada durante a implementação. Nesta
fase não serão tão grandes, pois já deverá existir algum trabalho de
“rectificação”. E podem voltar, novamente, a ser fundamentais numa fase de
pós-implementação turbulenta e descontrolada.
Pense nesta nossa proposta.
Analise o impacto que ela pode ter na sua empresa. Pense que pode ter mais
custos iniciais mas que, certamente, terá menos custos finais e muitos mais
benefícios com o novo “know-how” contratado.
Tem alguma ideia das diferenças
entre os custos esperados no início de uma implementação e os seus custos
finais?
Em termos de cliente e com base
na minha experiência particular de gestor de projectos, considero que uma
implementação de sucesso pode derrapar até 25% em termos de custos para o cliente.
Uma implementação satisfatória derrapará até 50%. Uma implementação
insuficiente ou mesmo má terá uma derrapagem que pode ir de 50% até ao eventual
cancelamento do projecto.
Em termos de fornecedor, onde a
derrapagem também pode ter um impacto terrível. Para além dos custos de
oportunidade pode, inclusive, levar à perda de uma equipa inteira por
insatisfação com a pressão da gestão. Esta situação tem também um impacto
fundamental sobre o cliente.
Pense que um Provedor do
Cliente pode custar até cerca de 10% do custo inicial previsto para um
projecto. Mas que este custo é completamente recuperado se um projecto de
100.000 contos for impedido de derrapar mais de 15% do seu valor inicial (só em
termos de cliente). Não apresentamos aqui os ganhos para o fornecedor, que
podem ser muito vultuosos se este estiver incapacitado de transferir os seus
custos para o cliente.
Pense, muito seriamente, neste
caso. Pense na contratação de um Provedor do Cliente.
Até breve,
José Pedro Gonçalves
Aspetus