Lisboa, 3 de Outubro de 2001
A Crise e o próximo “boom” da Internet
Hoje estamos num Mundo diferente
daquele em que vivíamos no mês passado. Entre os dias 3 de Setembro e 3 de
Outubro de 2001, viveram-se momentos trágicos, de luto, de angústia, de heroísmo,
viveram-se momentos que alteraram completamente, não só a maneira de viver da
população mundial, mas também a forma como são encarados e devem ser enfrentados
desafios adormecidos ou esquecidos na consciência do “modus vivendi” ocidental.
De repente o “Mundo Ocidental”
foi sacudido por violentos e arrasadores t(r)emores. Abruptamente constatou que
a sua forma de encarar o mundo não é universal, que os seus valores não são partilhados
por todos e, mais inquietante ainda, que se encontra extremamente vulnerável
perante ataques provenientes de forças para quem a vida humana não tem qualquer
valor.
No entanto, esperemos que se
materialize um ditado popular que afirma “que há males que vêem por bem”. Esperemos
que desta situação surja uma nova consciência, e que essa consciência dê origem
a uma nova civilização, a uma nova forma de encarar a “globalização”. Num mundo
novo, não podem existir tantas assimetrias, não podem existir tantos
analfabetos, não podem existir tantas famílias no limiar da sobrevivência, não
pode existir tanta exclusão social, pois que valor tem a vida se não pode ser
vivida com o mínimo de dignidade?
Qualquer que seja a evolução da
situação actual, uma coisa é certa, a Internet terá um papel fundamental, quer
como veículo condutor e “armazenador” de conhecimento, quer como veículo de
interacção entre os vários mundos, quer como peça fundamental no assegurar da
manutenção dos negócios.
Hoje, estamos num momento crítico
da comunicação física, com as companhias aéreas a sofrerem as primeiras consequências,
a que se seguirá o sector do turismo, e por arrasto muitos dos produtos e serviços
que dele dependem, directa e indirectamente. O mundo dos negócios também está a
sofrer com o deslocamento das prioridades de consumo das populações, mas não irá
sofrer tanto como o que seria natural sem a existência dos actuais meios de
telecomunicações e, especialmente, da Internet.
A Internet permite assegurar a continuidade
dos negócios, através da manutenção de “um” canal de telecomunicações aberto 24
horas por dia, 7 dias por semana. Este canal permite que muitas deslocações de
executivos sejam substituídas por contactos via e-mail, por video-conferência,
etc. As transferências internacionais de fundos são quase todas efectuadas por
via electrónica, mas a logística de abastecimento continua a precisar de
sistemas eficazes de produção e distribuição. Ainda assim, podemos dizer que
hoje é possível fazer uma vida quase normal sem haver necessidade de efectuar
grandes deslocações. O negócio continua, mesmo sem a presença física da pessoa.
No entanto, os sistemas que
hoje dispomos ainda não são os melhores para a execução de determinadas tarefas,
especialmente das que requerem muita colaboração e um contacto permanente entre
elementos de uma mesma equipa espalhada pelo mundo, mas sabemos que já estão em
construção. Depois do B2B na sua versão de e-MarketPlace público começam a
surgir as PTX (private trading network), que não são mais do que sistemas de
informação só acessíveis por alguns sócios e com objectivos muito concretos
(por exemplo desenho de infra-estruturas, de automóveis, de aviões, etc.) Estas
PTX permitem, através do assegurar de uma melhor colaboração de negócio, que as
empresas nelas representadas possam usufruir de ganhos significativos a vários
níveis, desde o aproveitamento de economias de escala, até à redução de custos
de deslocação e estadia.
Por outro lado, a superação desta
crise vai exigir uma melhoria significativa nas condições electrónicas de realização
de transacções intra e inter-empresas. Muitas empresas vão privilegiar o canal
electrónico na realização das suas transacções. Esta evolução irá exigir a
construção de soluções informáticas mais rápidas, mais seguras e mais
fidedignas.
A Internet foi criada para manter
operacional um sistema de defesa, mesmo no caso de um ataque múltiplo aos EUA.
Hoje a Internet é o único sistema que permite defender integralmente a capacidade
de resposta de qualquer empresa perante as vicissitudes do mercado e as suas constantes
modificações.
Nos próximos tempos vamos
assistir a um novo “boom”, agora não resultando da explosão de qualquer bomba,
mas sim da aumento exponencial do número de solicitações para que seja utilizado
o canal Internet na maior parte das transacções de negócio. Criada para
garantir a continuidade, a Internet é a única plataforma que permite assegurar
o futuro dos negócios e o desenvolvimento das empresas.
Se em algum momento esmoreceu o
seu entusiasmo perante as perspectivas de negócio proporcionadas pela Internet,
está hoje na posse dos mais fortes argumentos em seu favor.
Invista na Internet, no B2C, no
B2E, no B2B, etc., mas, especialmente no B2U (leia-se Business-to-You), porque é
aqui que está o seu futuro.
Até breve,
José Pedro Gonçalves
Aspetus