Lisboa, 3 de Novembro de 2001
Sistemas de Gestão de Contratos
Todo o negócio baseia-se na
existência de um contrato entre a parte que fornece e a que adquire. É através
do contrato que duas ou mais entidades estabelecem o enquadramento da sua relação
de negócio.
No entanto, sendo o contrato a
pedra que alicerça a construção das organizações, quantas destas conhecem e
acompanham devidamente a sua execução? Porque colocam tanto esforço na sua
negociação e tão pouco na sua gestão?
Existe um velho ditado que
afirma “Se não conheces os teus contratos, não conheces o teu negócio”. Os
contratos são o melhor reflexo de qualquer negócio. São o reflexo do que a
organização decidiu comprar e vender.
Sendo tão importantes para as
organizações, porque é que estas não dispõem de mecanismos eficazes para o seu
controlo e acompanhamento de execução?
Todos sabemos que a
implementação de um contrato sem o prévio estabelecimento dos seus mecanismos
de controlo levará, muitas vezes, a uma implementação que não atinge os
objectivos desejados, ou que é totalmente falhada. Como todos sabemos, estes
resultados significam perda de receitas, perda de oportunidades e custos
excessivos.
Então, porque é que uma
organização se preocupa com a realização de todas as outras actividades do seu
negócio e, muitas vezes, ignora completamente o documento que criou o seu
negócio e que define os seus direitos e responsabilidades, activos e passivos?
A competência e o empenho com
que os executivos de uma organização escrevem e negoceiam contratos, são um
grande determinante da saúde financeira da empresa. A forma como se efectua o
acompanhamento da execução dos contratos (as partes envolvidas, as suas
responsabilidades, as acções que é necessário executar e as renovações e
extensões que é necessário negociar e controlar) pode ainda ser mais
importante. No entanto, o contrato mais bem negociado e escrito, pode ser
completamente inútil se não for gerido de forma adequada. Pode dizer-se que uma
organização que não gere convenientemente os seus contratos apresenta “lapsos
de memória”. Se for gestor de alguma empresa, estes “lapsos” devem preocupá-lo,
uma vez que podem representar a existência de ineficiências importantes, se não
mesmo perdas significativas a vários níveis – compras não recebidas, ou
recebidas e não instaladas, ou instaladas e não optimizadas, etc. No entanto,
não chega saber onde estão arquivados os seus contratos, é necessário manter um
controlo permanente sobre o seu articulado, e sobre as exigências e
compromissos que este representa para a organização.
Mas, como é que uma organização
perde o rasto dos seus contratos?
Muitas vezes, o que acontece
advém do facto de o executivo que originalmente preparou e negociou o contrato
já não se encontrar na mesma posição na organização, ou porque foi elevado a
uma posição superior ou diferente, ou porque aceitou um novo desafio noutra
organização. Este facto, por si só, tem como resultado a perda de “consciência”
sobre determinados contratos e, desta forma, perde-se um substancial e precioso
conhecimento sobre o negócio da organização.
Mas, como é que os contratos
são actualmente geridos?
Normalmente, são mal geridos.
Existem vários factores que contribuem para esta situação, mas destacaria o que
me parece fundamental, a falta de um Sistema de Informação de Gestão de
Contratos. Esta situação resulta de três factos, todos demasiado recentes para
já terem um peso significativo na gestão das empresas.
1. Ter-se
iniciado a divulgação do conceito de Gestão de Contratos,
2. Terem
começado a surgir as primeiras aplicações informáticas direccionadas para o
apoio a esta actividade e,
3. As
organizações terem começado a tomar consciência da importância desta prática
para a sua “bottom line”.
Mas, como implementar um
efectivo Sistema de Gestão de Contratos?
Desta forma, uma organização
deve dar três passos para implementar um efectivo Sistema de Gestão de
Contratos.
·
O primeiro passo dá-se com a criação de uma organização
vocacionada para a sua realização. Uma organização com capacidade para, desde o
momento prévio à construção do caderno de encargos, até à execução de
auditorias de performance ou de conclusão, dar suporte e controlar a execução
dos trabalhos.
·
O segundo passo dá-se com a efectiva implementação de
um Sistema de Informação de Gestão de Contratos.
·
O terceiro passo dá-se com a definição e implementação
de perfis de risco para cada contrato, de forma a que estes possam ter
associados um grau de criticidade para o negócio da empresa e, assim serem
enquadrados num perfil de gestão consentâneo com a sua importância.
A nossa experiência diz-nos que não é preciso que uma
organização tenha muitos contratos para que a implementação de um Sistemas de
Gestão de Contratos possa proporcionar
um muito rápido retorno do investimento. Muitos vezes, só na gestão de um único
contrato conseguem-se ganhos suficientes para a justificação completa dos
valores investidos.
Desta
forma, e sendo facilmente justificável a existência de um Sistema de Gestão de
Contratos, porque não começar desde já a pensar na sua implementação?
Até breve,
José Pedro Gonçalves
Aspetus