Lisboa, 3 de Dezembro de 2001
O Hiper-Espaço Empresarial
No princípio deste ano,
iniciamos a publicação destas crónicas fazendo referência ao filme “2001 –
Odisseia no Espaço” e ao facto de não existir qualquer filme com o título “2001
– Odisseia na Gestão”. Consideramos que a Gestão Empresarial criou novos
conceitos, prontamente explorados ao nível dos Sistemas de Informação, e que a
aliança entre estas duas entidades contribuiu significativamente para a
melhoria dos padrões de vida nas sociedades ocidentais.
Nos últimos anos foram
realizados muitos estudos sobre a realidade empresarial, foram propostas muitas
formas diferentes de abordar e resolver problemas similares e foram criadas
muitas “buzzwords” que se revelaram importantes na “venda” e implementação dos
novos conceitos. No entanto, nunca consegui encontrar muitos trabalhos que
permitissem clarificar as reais dimensões do espaço em que se insere cada
empresa e, que a partir desta caracterização, fossem identificadas as forças
que actuam sobre cada uma destas dimensões. A identificação das forças que
actuam sobre cada dimensão do espaço empresarial é fundamental para a criação
de ferramentas que permitam controlar ou dominar o seu impacto na organização.
Michael Porter apresentou-nos o
modelo das Cinco Forças (Five Forces) que influenciam a intensidade da
competição em determinado sector económico e que moldam a estratégia das
empresas: Força Negocial dos Clientes, Força Negocial dos Fornecedores, Ameaça
da Entrada de Produtos Substitutos, Ameaça de Entrada de Novos Concorrentes,
Intensidade da Rivalidade entre Concorrentes. A estas Cinco Forças podemos
associar Cinco Dimensões do Hiper-Espaço Empresarial – Clientes, Fornecedores,
Produtos Substitutos, Potenciais Concorrentes, Concorrentes. Mas serão estas
forças suficientes para caracterizar o espaço empresarial de uma empresa e
influenciar a sua estratégia?
Todas as evidências indicam que
estas forças são fundamentais mas que não são suficientes para a caracterização
do espaço empresarial. Não querendo entrar no campo da especulação, gostaria de
apresentar o que me parece ser um bom modelo para a caracterização do
Hiper-Espaço Empresarial.
Este é um modelo a Treze
Dimensões (mais o Tempo):
·
Três Dimensões Internas ou Nucleares - Pessoas,
Tecnologias, Produtos/Serviços, e
·
Dez Dimensões Exteriores ou Atmosféricas - Concorrentes,
Potenciais Concorrentes, Fornecedores, Clientes (Distribuidores
e Consumidores podem ser Dimensões adicionais), Accionistas,
Associações Empresariais, Associações Ambientalistas, Estado, Comunidade
Próxima, Economia Global.
·
À “cola” que mantém a interligação entre estas
Dimensões, chamamos Processos de Negócio.
Estas Dimensões permitem
caracterizar o Espaço Negocial de cada empresa. É sobre estas Dimensões que são
exercidas Forças (Transacções) que condicionam a sobrevivência das empresas.
Cada empresa pertencerá ao mesmo sector económico se houver uma similitude nas
características e intensidade das Forças que actuam sobre o seu Hiper-Espaço
Empresarial (ou Negocial).
A identificação e
caracterização destas Forças é de extrema importância para a sobrevivência da
organização. Todos os Processos de Negócio (ou Políticas Económicas) de uma
organização têm como objectivo manter acesa a chama da vida empresarial.
Conhecer a eficiência destes Processos nas 13 Dimensões do Hiper-Espaço
Empresarial deve ser o objectivo de cada empresa. O papel dos Sistemas de
Informação sempre foi (e será) o de identificar, recolher, tratar e reportar o
maior número de Forças possível, e desta forma manter actualizado o
Conhecimento que cada organização detém sobre ela própria.
Mas qual a real importância
deste modelo? Não será mais uma especulação sem qualquer benefício prático?
O modelo que apresentei é muito simples e necessita de muito mais
trabalho à sua volta. No entanto, permite a cada gestor olhar para a sua
organização de uma forma estruturada e pensar se o seu actual Sistema de
Informação permite obter uma imagem razoavelmente fiel das Forças exercidas
sobre cada uma das Dimensões do seu Hiper-Espaço Empresarial.
·
Será que está confortável com a rapidez e qualidade da
informação que lhe é fornecida? Mantém muita informação em papel?
·
Será que conhece as deficiências tecnológicas da sua
organização? O seu sistema de suporte à decisão está acessível num PC ou mantém
uma bateria de colaboradores a produzirem relatórios em papel para que possa
tomar determinada decisão?
·
Mantém um arquivo electrónico de documentos? Acede a
este arquivo facilmente?
·
Será que mantém um controlo apertado sobre os
Produtos/Serviços que coloca no mercado? Recolhe e classifica a reacções dos
seus Clientes? Conhece a sazonalidade da compra? Com a produção de novos
produtos não está a dar “tiros nos pés”? As suas campanhas de marketing
“canibalizam-se”?
·
Será que conhece o “pulsar” da sua organização (ideias,
motivações e objectivos dos seus colaboradores)?
·
Será que está contente com o grau de eficiência dos
seus processos de relacionamento com Clientes? Explora todos os canais de
contacto disponíveis? Mantém uma linha de Serviço ao Cliente rápida e
eficiente?
·
Será que mantém um bom relacionamento com a sua cadeia
de Fornecedores? Aproveita todas as oportunidades de sinergia? Aproveita todos
os descontos concedidos? Trabalha em conjunto com os seus fornecedores na
optimização das suas linhas de produção?
·
Será que conhece o seus Concorrentes (e os seus
Produtos)? Mantém uma base de dados sobre a actividade destes?
·
Será que estão identificados os Potenciais
Concorrentes? De onde e quando podem surgir?
·
Será que dispõe de um óptimo sistema de “reporting” aos
seus Accionistas? Em média, quanto tempo demora a responder a determinada
questão?
·
Consegue usufruir de todas as vantagens proporcionadas
pelo Estado? O seu “reporting” é fácil e toda a informação pode ser consultada
rapidamente?
·
Conhece as actividades da sua Associação Empresarial?
Participa nos seus eventos? Tem uma voz activa na tomada de decisões?
·
Qual o impacto das suas decisões na comunidade
ambientalista? Conhece os seus interlocutores?
·
Conhece e preocupa-se com a Comunidade em que está inserido?
Mantém activos projectos com esta Comunidade?
·
Que informação recebe sobre o comportamento da Economia
Global? Só o Finantial Times? Só o canal Bloomberg?
·
Etc.
Estas são questões a que deve
responder durante a sua Missão Empresarial. Hoje, mais do que nunca, é
fundamental manter um conhecimento tão profundo quanto possível sobre o evoluir
do maior número de Forças que actuam no Hiper-Espaço Empresarial. O seu Sistema
de Informação deve conseguir fornecer-lhe respostas a estas e outras questões.
Será que consegue? Será que
está preparado para isso?
Até breve,
José Pedro Gonçalves
Aspetus