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O QUE SE PASSA
NOUTROS PAÍSES… |
Longe
vão os tempos em que as empresas tiveram que dispender somas avultadas para
poder aceder a software
sofisticado de gestão, implementá-lo e mantê-lo operacional durante os anos
da sua vida útil. Longe vão os tempos da dependência dos clientes em relação
aos fornecedores das tecnologias de informação, dos verdadeiros “exércitos”
de técnicos e de consultores com residência permanente nos Departamentos de
Informática dos clientes, dos sistemas complexos de segurança dos equipamentos
(salas climatizadas, portas blindadas à prova de fogo, seguros…). Longe vão
todos esses tempos; e longe vão porque existe hoje uma alternativa credível a
toda essa panóplia de dispositivos informáticos - e não só! - o modelo ASP.
Com efeito, o aluguer de soluções profissionais (ASP ou
Application Service Provider) cresceu
rapidamente nos Estados Unidos essencialmente porque as organizações se
aperceberam das vantagens “de alugar em vez de comprar”, ou seja, de uma
forma simplista, de nunca deter mas poder usufruir. E este mercado tem projecções
de crescimento nos próximos 4 a 5 anos verdadeiramente impressionantes.
1-
Se este mercado é uma realidade nos EUA, o que se passa na Europa?
A Europa é, por tradição, uma zona económica
conservadora; aqui, são precisas referências para suportar a introdução de
novos modelos - apesar de muitos dos novos conceitos terem cá origem! - e é
sempre necessário algum tempo de maturação até que as ideias novas possam
ser empregues em larga escala. Tradições à parte, os Europeus não aderem com
a mesma rapidez às coisas novas como os Americanos - sobretudo quando estas
podem ter impacto nos seus negócios.
Sem querer apresentar justificações comportamentais é,
também por estas razões, que a adesão ao modelo ASP na Europa não apresenta
a mesma celeridade a que se assiste nos EUA: estudos recentes apontam para uma
penetração na Europa que, em média, se situa nos 5 a 6% por país. É
interessante notar que o comportamento nos diversos países é distinto,
variando de uma adesão de cerca de 16% na Escandinávia para valores quase sem
expressão na França e na Alemanha.
Por tipo de aplicações informáticas “alugadas”, a
repartição é a que a tabela 1 ilustra (fonte: ASPIC/OVUM).
|
Tipo de Aplicação
|
Repartição (01/2001)
|
|
Hosting
Web
|
20%
|
|
Processamento
de Salários
|
19%
|
|
ERP
|
13%
|
|
e.Mail
|
12%
|
|
e-Comm
|
8%
|
|
CRM
|
7%
|
|
Recursos
Humanos
|
6%
|
|
Contabilidade
|
6%
|
|
Produtividade
|
5%
|
tabela
1
A análise destes elementos permite inferir que a maior
taxa de penetração dos ASP’s reside no Hosting
Web - ou seja, no aluguer de espaço e administração de aplicações
(parte delas próprias) e sua disponibilização via Internet. Muito
provavelmente estamos em presença de “lojas virtuais” alojadas nos
fornecedores Web (ISP ou Internet Service
Provider).
Este aspecto traduz, em certa medida, a cautela dos
clientes Europeus que preferiram aplicar o modelo ASP a aplicações cujo
impacto no negócio é relativamente reduzido e que, por outro lado, apresentam
níveis de complexidade e de exigência elevados - se comparados com os benefícios
percepcionados.
2
- Se “nem tudo são rosas” quanto ao estado do” mercado” actual na
Europa, existem previsões de crescimento?
Curiosamente, ou não, os analistas contrapõem à actual
taxa de penetração ASP, valores díspares para o mercado Europeu potencial a 5
anos; senão atentetemos na tabela 2 - valores em milhões de contos (fonte: PMP
Research).
|
País
|
2001
|
2002
|
2005
|
|
Reino Unido
|
33.4
|
104.5
|
360.7
|
|
Alemanha
|
23.9
|
107.3
|
603.0
|
|
França
|
42.9
|
69.1
|
351.2
|
|
Itália
|
22.6
|
79.4
|
309.9
|
|
Escandinávia
|
23.4
|
83.7
|
225.0
|
|
Benelux
|
14.5
|
46.9
|
174.8
|
|
Total
|
160.5
|
490.7
|
2
024.6
|
tabela
2
Por tipo de aplicação, as previsões são as que a
tabela 3 apresenta (fonte: ASPIC/OVUM).
|
Tipo de
Aplicação
|
Repartição
|
|
CRM
|
46%
|
|
Hosting
Web
|
11%
|
|
Contabilidade
|
8%
|
|
e.Mail
|
8%
|
tabela
3
Neste mesmo estudo, os analistas apresentam as áreas
seguintes como de maior potencial de crescimento (em termos de ASP):
·
Serviços Financeiros (hosting web, e-comm e CRM);
·
Transportes e Serviços Públicos (hosting web, e-comm e e.mail);
·
Viagens e Turismo (hosting web, e-comm e e.mail);
·
Retalho e Dsitribuição (hosting web, e-comm, e.mail e
processamento de salários).
Os elementos atrás apresentados sugerem que:
a)
As aplicações em regime de ASP correspondem a soluções novas, isto é,
soluções para áreas funcionais até agora não abrangidas pelo software de gestão (como exemplo o ERP);
b)
b) Os países onde o software
de gestão tem maior penetração (o estudo parece sugerir a França e a
Alemanha) não sentem necessidade de aderir ao modelo ASP com a mesma
celeridade.
Quanto às novas áreas funcionais, o estudo permite
inferir que as soluções dedicadas ao CRM, e-Procurement
e aos e-Marketplaces apresentam um
potencial significativo para ASP, em deterimento das soluções tradicionais e
associadas ao ERP, por um lado porque muitas organizações usam já sistemas
desse último tipo e, por outro, porque as organizações podem não estar
interessadas em suportar, de per se,
os investimentos e os riscos associados à introdução das novas ferramentas -
nestes casos, alugar em vez de adquirir parece ser a melhor solução.
3
- Benefícios à parte, quais são os principais problemas deste modelo?
Os Europeus manifestam-se desconfiados quanto aos
aspectos de segurança dos dados quando estes vão ficar dependentes de
entidades terceiras (externas às organizações).
Contudo, é necessário não dramatizar: não há
sistemas totalmente seguros. No entanto, os aspectos de segurança quer activa
quer passiva associados aos ASP’s, minimizam eventuais problemas de intrusão
de tal forma que estes problemas se tornam perfeitamente desprezíveis; pode-se
mesmo afirmar, com alguma dose de abuso, que os dados estão mais seguros “em
casa do ASP” do que “em casa dos clientes”…
Outro aspecto sensível é a eventual promiscuidade de
dados provocada pelo ASP: se o ASP for do tipo “vertical” - orientado por
indústria - pode muito bem ocorrer que dois concorrentes no negócio tenham o
mesmo fornecedor de aplicações. Quais as garantias que o ASP lhes poderá
fornecer no sentido de não haver “fugas de informação”?
Todos os ASP’s são entidades profissionais e altamente
responsáveis pelo que as probabilidades de ocorrência destas situações será
praticamente nula. Não obstante, todos os clientes ASP ficarão protegidos por
contratos - tão rigorosos quanto os clientes pretenderem - que, naturalmente,
os salvaguardam de quaisquer circunstâncias mais danosas.
4
- Sintetizando…
Em resumo: a taxa de adesão média ao ASP, por país
Europeu, situa-se entre os 5 e os 6%. Os países Escandinavos lideram claramente
em termos de adesão ao conceito, apresentando uma taxa de penetração de 16%;
a França e a Alemanha manifestam-se muito cautelosamente e, embora sejam
mercados com grande potencial, a oferta de soluções em ASP pode, ainda, não
ter encontrado a melhor forma para dar satisfação aos requisitos dos clientes.
Contamos em breve poder disponibilizar mais elementos
neste espaço; contamos com a sua visita regular como incentivo e com os seus
comentários para podermos melhorar.
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