DO SOCIALISMO PREMATURO PARA O SOCIALISMO DO FUTURO

(publicado na revista Vértice em Julho de 1990)

 

9. NOVO PAPEL DOS PARTIDOS REVOLUCIONÁRIOS

 Os partidos revolucionários têm tradicionalmente desenvolvido dois tipos de acções:

- Organizar os explorados na sua luta defensiva contra as  injustiças do capitalismo

- Perspectivar a destruição do capitalismo, a substituir por um  regime dominado pelo proletariado. Este usará o seu poder para  eliminar de vez a injustiça e a exploração.

Para tomarmos consciência, através de um paralelismo histórico, do significado de tal postura consideremos qual teria sido o sucesso de quem, na segunda metade do século XVIII, não só defendesse os servos da injustiça feudal como proposesse a socialização dos feudos como base produtiva de uma sociedade que, governada pelos servos, realizaria a justiça universal.

É claro que a organização e a luta dos oprimidos não só é justa como constitui um factor de aceleração da queda dos sistemas sociais caducos.  Tal trabalho, que tem constituído a mais genuina fonte de orgulho e base da identidade dos partidos revolucionários não deve, de modo algum, ser abandonado.

O que se propõe é que seja complementado com uma nova visão do futuro que não seja passível de confusão com o Socialismo Prematuro.  Também é necessário evitar qualquer confusão com a social-democracia, o que não parece difícil já que esta foge "como o diabo da cruz" de perspectivar o fim inevitável do capitalismo.

Tendo em conta o que acabamos de dizer, os partidos revolucionários deveriam integrar nos seus programas as seguintes linhas de força:

- Respeito rigoroso dos métodos democráticos tanto internamente  como na actividade publica.

- Abandono de qualquer perspectiva vanguardista que signifique  distinção, com base na condição de classe, entre os cidadãos  enquanto fonte de legitimação do poder partidário e político

- Exercício, na prática, de um papel de vanguarda baseado na  lucidez das análises e na validade das propostas. Esse papel  nunca será auto-proclamado mas sim, eventualmente, reconhecido  pelos destinatários da acção política.

- Apoio às transformações tecnológicas rumo ao Socialismo do  Futuro.  Combate a todos as formas de introdução da tecnologia  que se façam com base em sofrimentos desnecessários.

- Reforço do trabalho junto das camadas que, já hoje prefiguram, na sua actividade as relações sociais do futuro

- Ajuda à formação de uma nova consciência social tanto a partir do sistema de ensino como pela acção política e cultural

- Antecipação das contradições da sociedade nascente por forma a combater, durante a sua formação, todas os desvirtuamentos e que  impeça, na medida do possível, a continuação da exploração sob  novas formas.

 

 CONCLUSÃO

 

 O capitalismo não é só um sistema social gerador de enormes injustiças; o seu maior fracasso consiste em não ser capaz de pôr ao serviço da humanidade a força criativa de milhões de cérebros.

Obedecendo à lógica mesquinha do assalariamento não pode, apesar dos enormes meios tecnológicos de que dispôe, fazê-lo.

Lutemos pelo Socialismo que será como o abater de um dique que barra a inteligência humana.

Milhões e milhões de cérebros humanos, em cooperação, encontrarao soluções mesmo para os problemas que sempre nos pareceram eternos.  

 

1. A LESTE DO PARAÍSO

2. OS LIMITES DE UMA TEORIA VANGUARDISTA

3. O INSUCESSO DO SOCIALISMO SEM CONSUMO

4. O SOCIALISMO PREMATURO

5. ONDE SITUAR O MOMENTO ACTUAL NO PROCESSO DE TRANSIÇÃO ?

6. O DESENVOLVIMENTO DE UMA NOVA BASE MATERIAL

7. A GESTAÇÃO DAS NOVAS RELAÇÕES DE PRODUÇÃO

8. O SOCIALISMO DO FUTURO

9. NOVO PAPEL DOS PARTIDOS REVOLUCIONÁRIOS