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DO
SOCIALISMO PREMATURO PARA O SOCIALISMO DO FUTURO
3. O INSUCESSO DO SOCIALISMO SEM CONSUMO
Nem
os mais acérrimos inimigos do socialismo se atrevem a dizer que, nos países de
Leste, as grandes questões sociais como a educação, a saúde e mesmo a habitação,
não foram no essencial resolvidas.
Todas as críticas
se concentram na escassez e falta de qualidade dos bens de consumo corrente
(roupa, electrodomésticos, automóveis, etc).
Também
quase nunca se refere o direito ao trabalho, a protecção às maes e às crianças,
a pedagogia dos ideais pacifistas, etc.
Aproveitando
o zelo auto-crítico vindo do Leste projecta-se a imagem irracional de que
"do outro lado" afinal estava tudo, mesmo tudo, mal.
Até os campeões olímpicos da RDA eram obrigados pela famigerada STASI
a bater os seus recordes.
Tentemos então
esclarecer o que efectivamente falhou em termos socio-económicos.
Comecemos
por assinalar que o "socialismo" e o capitalismo não se defrontaram
em condições de igualdade, como se fossem dois atletas num estádio. O
capitalismo era, já em 1917, e continuou sempre sendo um sistema largamente
dominante à escala planetária.
Os países
que lhe tentaram escapar nunca poderam viver uma situação normal no que toca
ao comércio internacional; como se fossem rebeldes em vilória de cacique todo
poderoso, sujeitos às chantagens e boicotes daquele a quem tinham tido o arrojo
de desafiar.
Sem a
normalidade das importações e das exportações estava-lhes vedado, mesmo que
outros problemas não existissem, o normal abastecimento dos seus mercados.
Os
americanos, por exemplo, compram quase todos os seus gravadores de video e uma
boa parte dos seus automóveis ao Japao, o que contribui para uma gigantesca dívida
externa de centenas de milhares de milhões de dólares. Os russos nunca
poderiam, mesmo que quisessem, fazer outro tanto.
Forçados a
abastecer o seu mercado com os seus próprios produtos foram obrigados a
dispersar esforços e a desperdiçar recursos.
Mas isto é
apenas o pano de fundo.
Aquilo que
realmente falhou foi o sistema de motivações; não sendo viável o consumismo
e estando, por natureza, vedada a utilização da chantagem sobre os
trabalhadores (como por ex. o desemprego) não houve a capacidade para criar um
sistema de motivações alternativo.
Pode
inclusivé colocar-se a duvida sobre se tal teria sido possível. Cada sistema tem a sua própria lógica que não é arbitrária.
Tendo-se eliminado o patronato explorador manteve-se, apesar disso, os
trabalhadores numa espécie de assalariamento (trabalho durante um certo tempo
em troca de um salário). Ora tal constitui um absurdo pois, como marxistas,
devemos esperar que a um novo modo de produção correspondam novas relações
na produção. É, de certa forma,
como se o capitalismo ao suceder ao feudalismo, eliminando embora os senhores,
mantivesse os servos a trabalhar nos moldes típicos da servidão.
O
assalariamento era também absurdo por não lhe corresponder, de acordo com a
sua própria lógica, um mercado de consumo que drene os salários, de novo,
para as maos dos que os pagaram. Este sistema, sem uma dinâmica própria,
acabou por conduzir ao desinteresse e à baixa produtividade, o que só veio
agravar ainda mais os problemas.
Tal não tem
nada a ver com o facto de a economia ser planificada. São altamente
planificadas algumas das maiores empresas capitalistas e isso nunca as impediu
de criarem poderosos sistemas de motivação.
Hoje já há meios tecnológicos suficientes para tornar um sistema
planeado mais perfeitamente auto-regulado do que o "milagroso" mercado
capitalista.
A centralização
de que tanto se fala foi tanto causa como consequência do desinteresse dos
cidadãos.
2. OS LIMITES DE UMA TEORIA VANGUARDISTA 3. O INSUCESSO DO SOCIALISMO SEM CONSUMO 5. ONDE SITUAR O MOMENTO ACTUAL NO PROCESSO DE TRANSIÇÃO ? 6. O DESENVOLVIMENTO DE UMA NOVA BASE MATERIAL 7. A GESTAÇÃO DAS NOVAS RELAÇÕES DE PRODUÇÃO 9. NOVO PAPEL DOS PARTIDOS REVOLUCIONÁRIOS
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