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A questão comunista Miguel Portas, in DN, 28 de Março 2002
Não sei, sinceramente não sei, se ainda há caminho
para o PCP. Quando um partido trata o mais experiente dos seus deputados, João
Amaral, do modo que fez - dispensando-o fosse qual fosse o preço a pagar -, não
sei se ainda lhe resta caminho. Claro que a direcção tinha todo o direito em
fazê-lo. Extraordinário é que tenha usado esse poder. João Amaral poderá
ter os defeitos que lhe queiram pôr. Mas pensando como se sabe que já pensava,
nunca deixou de ser um deputado disciplinado. Ao correrem com ele, os dirigentes
do PCP fizeram tábua rasa de um passado onde nunca hesitaram em usá-lo, mesmo
que o preço fosse a perda de mais um deputado. Se os dirigentes não se
importaram, porque haveria de ser o povo comunista do Porto a importar-se? |