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As fotografias foram feitas no mês de Setembro de 2009. Por esses dias, em Pequim, presenciei os frenéticos preparativos para as comemorações do 60º aniversário da República Popular da China que ocorreu no dia 1 de Outubro.
 

O imenso mercado-formigueiro que é Pequim não exagerava, nas ruas, os símbolos da Revolução. Mas os retratos de Mao, em algumas montras e na exposição retrospectiva de 60 anos de pintura, pareciam assistir atónitos ao pulular dos Business Centers e dos Kentucky Fried Chicken.
Tinha estado em Pequim em 2006 e, passados três anos, senti uma enorme evolução. Não só nos espantosos edifícios (Estádio Olímpico, Centro de Artes Performativas, torre da CCTV, etc) mas a todos os níveis.
 

Nesses dias de Setembro de 2009 usei o metro intensivamente para me deslocar pela imensa cidade e sentir o seu dia-a-dia. O metro de Pequim, que eu não usara em 2006, tem uma rede enorme mas, apesar disso, há várias novas linhas em construção.
Senti que estava perante um país cada vez mais rico e os shows televisivos de exaltação nacional, num estilo impensável pelos nossos padrões, não pareciam ser destituídos de razão aos olhos dos chineses.
As ruas davam uma sensação brutal de vitalidade; literalmente milhões de pessoas lutavam arduamente, penosamente não já, apenas, pela sua sobrevivência mas por uma vida melhor. Sessenta anos de socialismo ensinaram-lhes que o Estado não é a solução para tudo e particularmente para a angariação do sustento de cada família. Eles trabalham sem rede mas com uma comovente dignidade.

Essa atitude de um povo que ignora a resignação e a dependência é, quanto a mim, a maior força da China.
É essa vitalidade das ruas que pretendo mostrar com as minhas fotografias.